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Rainha Elizabeth II morre na Escócia aos 96 anos de idade

O anúncio foi feito pela Família Real

Foto: Instagram | Reprodução
A rainha Elizabeth II

A monarca britânica estava em sua residência de férias, o Castelo de Balmoral, na Escócia.

"A rainha morreu pacificamente em Balmoral esta tarde. O rei e a rainha consorte permanecerão em Balmoral esta noite e retornarão a Londres amanhã", informou a Casa Real britânica, usando as redes sociais.

Os quatro filhos da rainha, Charles, Anne, Andrew e Edward, e um dos netos, o príncipe William, estão na Escócia.

Com a morte da rainha, seu filho mais velho, o príncipe Charles, deve assumir o trono de rei do Reino Unido e de outros 14 países sob chefia do monarca britânico, como Austrália e Canadá.

As regras para a linha sucessória foram estabelecidas no século XVII e é regulada tanto por descendência, quanto por estatuto parlamentar. 

Apenas os descendentes protestantes da princesa Sofia de Hanôver são elegíveis para o trono. Mas em 2013 houve mudanças nas regras para acabar com o sistema de primogenitura masculina, sob o qual um filho mais novo poderia substituir uma filha mais velha na linha de sucessão.

A rainha Elizabeth II foi colocada sob supervisão médica nesta quinta-feira, 8.

“Após uma avaliação mais aprofundada nesta manhã, os médicos da rainha estão preocupados com a saúde de Sua Majestade e recomendaram que ela permaneça sob supervisão médica”, dizia aviso divulgado pela Casa Real.

Com 96 anos, Elizabeth era a mais longeva monarca do Reino Unido e a segunda mais longeva da história, atrás apenas de Luís XIV da França.

Foto: Família Real

Elizabeth aos 2 anos de idade

Nascida em 1926, entre as duas grandes guerras, Elizabeth Alexandra Mary não deveria ser rainha. Desde cedo, a coroa não estava nos planos. Um dia, porém, foi surpreendida com a notícia de que seu tio, o rei Edward VIII, havia se apaixonado pela americana Wallis Simpson, recentemente divorciada, e deveria abdicar se quisesse se casar. A partir daquele momento, a linha sucessória colocava a pequena Lilibeth, a duquesa de York, na rota do trono.

O rei seria seu pai, George VI. Ela tinha 10 anos e sua vida mudou. “É para sempre?”, perguntou a menina quando soube que teria de se mudar para o Palácio de Buckingham. Biógrafos contam que a possibilidade de se tornar rainha aterrorizava a garotinha. “Ela costumava rezar à noite para que a mãe (a rainha Elizabeth, então com 36 anos) tivesse um menino, para que ela não tivesse de ser rainha”, lembra a historiadora Sarah Bradford. Com o tempo, ela e Margaret, sua irmã caçula, foram se acostumando com a ideia – e gostando.

A metamorfose se completou no Dia da Vitória, em maio de 1945, quando uma pessoa completamente transformada apareceu na sacada do Palácio de Buckingham. Ela tinha 19 anos, estava madura e havia deixado a imagem de menina para trás. Acenando para os súditos, ao lado do pai, Elizabeth era o futuro do Reino Unido.

Foto: Família Real

O casamento com o príncipe Philip Mountbatten

Casamento

Lentamente, a tímida princesa ia caindo nas graças dos britânicos. Com seus movimentos acompanhados de perto, era inevitável que surgissem, com o tempo, as primeiras fofocas sobre quem Lilibeth levaria para o altar. Ela, no entanto, já tinha um cadete da Marinha na sua alça de mira.

Quando viu Philip Mountbatten pela primeira vez, Elizabeth tinha só 13 anos. Foi em 1939, durante visita ao Royal Naval College, em Dartmouth, acompanhando seu pai. “Ele tinha 18 anos”, escreveu a rainha, anos mais tarde, em uma carta publicada pelo tabloide The Mirror, em 2016.

Segundo a Vanity Fair, durante a visita, Philip foi convidado a tomar chá com a família real. Começava a paquera. Ele era filho de monarcas gregos, chegou a trocar cartas com a princesa durante a guerra, mas foi apenas em 1946 que pediu a mão de Elizabeth.

O casamento só foi anunciado no ano seguinte, quando o casal apareceu em público pela primeira vez. Na mão esquerda, ele levava um anel de platina com seis diamantes, o maior tinha três quilates.

A cerimônia foi realizada no dia 20 de novembro de 1947, na abadia de Westminster. O convescote foi transmitido pela Rádio BBC e acompanhado por 200 milhões de pessoas ao redor do mundo. De acordo com a realeza, foram 2.500 presentes e 10 mil telegramas saudando o casal.

O casamento de Elizabeth e Philip foi um dos primeiros acontecimentos globais que carregaram todas as características de um megaevento de celebridades. Para um país mergulhado na austeridade do pós-guerra, a festa foi um a pausa na penúria econômica. A jovem princesa rapidamente tornou-se o símbolo de uma nova geração sedenta para virar a página de um continente atormentado pela destruição.

Coroação

Foto: Familia Real

Rainha Elizabeth, em 1952

Elizabeth estava no Quênia, a caminho da Austrália, no inverno de 1952, quando recebeu a notícia da morte do pai. O rei não andava bem de saúde há algum tempo e ela e Philip cumpriam algumas funções reais, especialmente nas viagens longas pelo reino. “Meu pai morreu cedo. Não tive nenhuma preparação. Tive de aprender o ofício na marra”, diria Elizabeth mais tarde. “Sabia que a continuidade era importante, que era um trabalho para o resto da vida.”

Logo a rainha se acomodou ao trono. Com o tempo, além da dedicação às funções de Estado, ela ganhou fama por seu senso de humor. Dick Griffin, policial que durante anos serviu como segurança de Elizabeth, conta que ele e a rainha cruzaram certa vez com dois turistas americanos que caminhavam sem rumo pela propriedade de Balmoral, na Escócia.

“Ela sempre parava para dar um alô. Mas eles não a reconheceram”, disse Griffin, em entrevista à Skynews. Depois de alguns minutos de conversa, um deles perguntou a Elizabeth há quanto tempo ela frequentava Balmoral. “Quando a rainha disse que vinha ao castelo havia mais de 80 anos, o americano perguntou se ela já havia visto Elizabeth”, contou o policial.

“Eu não, mas o Dick aqui encontra com ela quase todo dia”, respondeu Elizabeth, para espanto dos americanos, que voltaram suas atenções para Griffin. “O senhor conhece a rainha? Como ela é?”, perguntaram. “Às vezes, ela é meio rabugenta, mas tem ótimo senso de humor”, respondeu o policial.

Outra paixão da rainha eram seus cães corgis – ela teve mais de 30, que tratou como se fossem da família. Elizabeth tinha o hábito de alimentá-los durante encontros formais, quando os biscoitinhos caninos eram servidos em uma bandeja de prata.

Segundo Robert Hardman, um dos biógrafos da rainha, em 2008, o secretário de Saúde Alan Johnson saiu do jantar maravilhado com a comida. Ele e o então representante britânico para o País de Gales, Paul Murphy, debatiam o cardápio na saída do Palácio de Buckingham. “Johnson comentou que havia amado o queijo e os biscoitos escuros”, escreve Hardman na biografia Queen of Our Times. “Paul respondeu: ‘Não, esses eram para os cachorros’.

"Imortalidade"

Nos últimos anos, preocupada com a sobrevivência da linhagem de Windsor, Elizabeth passou a entregar parte de suas atribuições aos herdeiros, especialmente ao filho mais velho, Charles, Príncipe de Gales e futuro rei, e ao neto William, o segundo na linha sucessória.


Elizabeth II já havia passado parte de suas atribuições para os herdeiros | Foto: Instagram/Reprodução

Quis o destino que sua vida fosse longa, e memes na internet brincavam com sua “imortalidade”. Mas, por todo esse tempo, segundo a revista Economist, mais do que uma boa saúde, sua longevidade simbolizou a constância do Estado britânico, mesmo quando outras instituições cambaleavam.

Antes da morte de Elizabeth, a imprensa britânica já especulava como Charles deveria ser chamado após ascender ao trono. Batizado como Charles Philip Arthur George, a tendência é que ele carregue o primeiro nome para seu “nome real”, tornando-se Charles III. No entanto, de acordo com o jornal The Mirror, o novo rei pode também homenagear o avô, o Rei George V, assumindo o nome real de George VI.

Visita ao Brasil

No final do turbulento ano de 1968, a visita da rainha Elizabeth II ao Brasil foi um respiro em meio às grandes tensões políticas que envolviam o Brasil. Foi a primeira e única vez que um monarca britânico, reinante, visitou o País. Fato histórico e determinante para as boas relações entre as duas Nações, a vinda da rainha era aguardada com enorme ansiedade e expectativa, não apenas pela administração do presidente Arthur Costa e Silva e pelos militares do governo. Uma vez que, com a visita do casal real, a ditadura militar melhorava sua imagem internacional e no âmbito da política interna, pode, por alguns dias, ver pautas positivas tomarem o noticiário nacional. No mês seguinte à visita real, o Brasil viveria o pesadelo do AI-5.

A empolgação com a chegada dos ilustres visitantes era também palpável entre a população, que os aguradava numa mistura de reverência, euforia e fascínio, revelando o apelo popular que as figuras da rainha e de seu marido, príncipe Philip, duque de Edimburgo, tinham entre a população brasileira. É isso o que mostra a cobertura jornalística do período.

Acompanhada do marido e de sua comitiva – uma equipe composta por 45 pessoas: 35 homens e 10 mulheres, entre civis, militaresm nobres e plebeus, altos funcionários e servidores domésticos - a rainha passou 11 dias no Brasil, de 1 a 11 de novembro daquele ano. A chegada foi pela cidade de Recife (PE),onde passaram pouco mais de três horas, de lá partiram para Salvador, a bordo do iate real da Marinha Inglesa, o Britannia. Depois, seguiram para Brasília, São Paulo, Campinas, terminando a viagem no Rio de Janeiro, de onde partiram para o Chile.

Dois momentos destacaram-se na extensa agenda de compromissos oficiais, cheia de recepções, banquetes, cerimônias de condecorações e inaugurações- algumas de vulto como a da Ponte Rio- Niterói no Rio de Janeiro e do MASP em São Paulo – e de encontros com chefes de Estado, diplomatas, membros de destaque da colônia inglesa no Brasil e personalidades– como Gilberto Freyre, Dom Hélder Câmara, Pietro Maria Bardi e outros. Em ambas as situações, o protocolo pareceu ser ofuscado pela informalidade, acabando por aproximar Elizabeth II do povo e oferecendo à realeza uma amostra da calorosa e festiva hospitalidade típica dos brasileiros.

O primeiro foi em Salvador. Recepcionada pelo então prefeito da capital baiana, Antônio Carlos Magalhães, a rainha visitou o Museu de Arte Sacra, a Igreja de São Francisco, desfilou em carro aberto pela cidade e foi saudada por uma multidão nas ruas. Na rápida visita ao Mercado Modelo, o que pode ser consigerada uma brecha no seu esquema desegurança, permitiu que várias pessoas que acompanhava a visitação chegassem bem perto do casal real.

O segundo momento, sem dúvida, um dos mais marcantes de toda a visita, foi quando, em 10 de novembro, os monarcas assistiram uma partida em sua homenagem no Estádio do Maracanã, e puderam ver o rei do futebol em campo. O jogo, disputado entre paulistas e cariocas e vencido por 3 a 2 pela seleção paulista, foi acompanhado por 105 mil torcedores; 85 mil pagantes e 20 mil crianças.