Imóveis

Veja 7 novos públicos que estão chegando ao mercado imobiliário

Só no primeiro semestre de 2021, o segmento cresceu cerca de 26%

Foto: LEIAMAISba
Os novos compradores são responsáveis pelo crescimento da intenção de compra

Se nas décadas de 80 e 90 o perfil do consumidor de imóveis era composto por jovens, que priorizavam o casamento, os filhos e trabalhavam principalmente para comprar a casa própria, hoje a situação é bem diferente.

Os novos compradores vêm passando por mudanças e são eles os responsáveis pelo crescimento da intenção de compra e das vendas de imóveis no Brasil.

Somente nos primeiros seis meses do ano, o setor cresceu cerca de 26% em vendas e a expectativa é de continuar aquecido nos próximos meses, segundo estudos de demanda da Datastore, empresa especializada em pesquisas de demanda para o setor imobiliário

O primeiro público de destaque é de adultos entre 25 e 35 anos de idade; ativos no mercado de trabalho; solteiros; vivem com os pais ou dividem moradia com amigos e se casam mais tarde.

“Todas estas características proporcionam economia e sobra de dinheiro para investimentos. Geralmente, por causa dos juros baixos oferecidos pelos bancos, esse grupo passou a adquirir produtos imobiliários, como apartamentos compactos ou estúdios, com o intuito de alugar, e gerar ativos”, explica Marcus Araujo, CEO e fundador da Datastore, especialista em inteligência de mercado. 

O segundo público é constituído por casais acima dos 35 anos, que se casaram mais tarde e resolveram não ter filhos. Esse nicho vem se tornando cada vez maior. Desejam apartamentos mais práticos, modernos, como os que já oferecem possibilidade de receber o delivery pelo elevador, criado especificamente com essa finalidade. Não fazem questão de área de lazer, pois priorizam o consumo fora do condomínio, com viagens e compras. 

O terceiro público é uma evolução do anterior. “São pessoas que escolheram ter apenas um filho, prezam por apartamentos compactos, com dois quartos e espaço para home office em conceito aberto, e que faça composição com o restante do ambiente, tais como salas e cozinha, tudo sem paredes. Fazem questão da varanda gourmet, mesmo que o imóvel tenha apenas 55 m², pois querem aproveitar a “vida de varanda”, espaço multiuso onde possa fazer lives, assistir aula virtual, reunião de trabalho, além de receber amigos. A área de lazer do prédio precisa contemplar estrutura para a diversão de crianças”, comenta Marcus Araujo. Segundo ele, esses são os principais compradores dessa década, mas a expectativa é que permaneça assim até 2060.

Hoje, a tendência é que uma parte dos casais já não tenha filhos humanos, mas sim pets como filhosque são tratados com toda atenção e carinho. Recentemente, um casal brasileiro virou notícia por conseguir registrar o cãozinho, em cartório, com sobrenome da família. Esse quarto público necessita de imóvel com dois quartos, sendo um para abrigar o animal de estimação com tudo que ele precisa, além de um pet place no condomínio.

De acordo com Araujo, nos próximos dez anos as pessoas comprarão muito mais coleiras que mamadeiras, ou seja, terão mais pets do que crianças nas casas. Os produtos imobiliários começaram a ser projetados com foco também na circulação dos animais. “Os pets se alimentam no mesmo horário que seus donos. Muitas vezes, durante a noite, eles acabam indo para a cama do casal”, comenta, Marcus.

O quinto público é o dos LGBTQIA+ (movimento político e social que defende a diversidade e busca mais representatividade e direitos para a comunidade) e engloba as características dos quatro citados anteriormente.

“Esse nicho tem demanda consistente, não precisa de imóvel específico, no entanto, deseja ser atendido com respeito e dignidade, o que nem sempre acontece. Os corretores de imóveis que já enxergam a importância dos LGBTQIA+ para o segmento estão um passo à frente, pois contam com alto potencial de compra, gostam de qualidade, optam por acabamentos de primeira linha, conforme seu poder de compra real, valorizam a vista do apartamento, e aceitam pagar mais para ter conforto”, ressalta o especialista. 

O sexto público está na faixa etária acima de 60 anos, não tem netos, pois são pais dos públicos um e dois, os quais não tiveram filhos. Esses idosos são paradoxalmente jovens, investem em longevidade, em espaços mais confortáveis, porém, que geram menos despesas, não querem grandes apartamentos com altos custos de manutenção e taxas condominiais. Eles têm trocado imóveis antigos pelos mais práticos e baratos para se manter. 

O sétimo é o público do futuro. São os que estão na faixa dos 25 anos e que adotam o estilo “solteiros convictos” da era digital. Não moram mais com os pais, nem terão filhos ou pets. Almejam a individualidade. “Em 2059, quando os solteiros convictos serão a maioria, segundo estudos publicados em revistas científicas como The Lancet, eu estimo que as famílias terão menos de duas pessoas, em todas as classes sociais, com isso, o mercado irá demandar cada vez mais os imóveis menores, porém confortáveis”, finaliza o CEO da Datastore.