Salvador completa 472 anos de fundação e, devido à pandemia de Covid-19, a celebração será virtual ou simbólica, ressaltando a existência da primeira capital do Brasil, mas mantendo o isolamento social.
Na lista de atrações está uma programação cultural virtual, novo podcast e até mesmo intervenção artística em celebração à cidade.
Primeiro podcast da Prefeitura, o Salvador em Detalhes é produzido pela Secretaria Municipal de Comunicação (Secom) e traz nesta primeira edição, comemorativa ao aniversário da cidade, um bate-papo entre o prefeito Bruno Reis e o presidente da Fundação Gregório de Mattos (FGM), Fernando Guerreiro. No áudio, histórias pessoais e a Salvador do futuro são alguns dos temas abordados.
Com periodicidade semanal, o Salvador em Detalhes tem como missão editorial divulgar informações sobre políticas públicas e ações realizadas pela administração municipal. O conteúdo vai reunir entrevistas, análises e opiniões sobre a realidade da primeira capital do Brasil e está disponível no Spotify e no site www.agenciadenoticias.salvador.ba.gov.br .
No YouTube - O Salvador 472, da Fundação Gregório de Mattos (FGM), exibe três atrações no canal da instituição no YouTube. O #ConexãoFGM traz, a partir das 8h, o filme “Sou o Carnaval”. Com direção de Márcio Cavalcante, faz um contraponto durante o Carnaval em Salvador: enquanto a grande mídia foca nos trios elétricos e camarotes lotados por personalidades e artistas famosos, Cavalcante procurou conversar com pessoas anônimas, o povo, que são fundamentais para compor a histeria coletiva que sustenta a folia há anos. Uma pesquisa aprofundada sobre as origens da festa popular que é reconhecida mundialmente pela alegria e simpatia que reproduz durante os quatro dias – ou mais – de duração.
Em seguida será apresentado o filme “Balú”, com direção de Paula Gomes. O audiovisual conta a história de um menino que tem como único amigo um cachorro vira-lata. Um dia, o cachorro desaparece misteriosamente. E em busca do amigo perdido, o menino vai embarcar numa grande aventura pelas ruas do seu próprio bairro.
Às 18h30, acontece mais uma edição do Patrimônio É... com o tema “472 anos: Salvador nas redes!”. A roda de conversa sobre educação patrimonial deste mês traz como convidados alguns influenciadores digitais da cidade: @diariodesalvador (Josevana Bittencourt), @avidaemsalvador (Caio Costa), @salvadorparaomundo (Marcelo Santiago) e @dobuzaao (Adonias Filho e Ana Carolina Silva). A mediação fica por conta da gerente de Patrimônio Cultural da FGM, Gabriella Melo.
São Salvador – Na parte alta do Elevador Lacerda, às 16h, acontece uma intervenção promovida pelo artista plástico Menelaw Sete, dentro da série chamada “São Salvador”, que parabeniza a cidade pelos 472 anos. Na ocasião, o artista realizará uma grande e significativa pintura colorida, com múltiplas nuances e símbolos que remetem ao amor, a fé, a paz e a esperança.
A performance terá como trilha a canção “São Salvador”, de Dorival Caymmi, apresentada pelo músico violinista Diego Santana. A iniciativa no Elevador Lacerda tem apoio da Prefeitura, por meio da Diretoria de Gestão do Centro Histórico (DGCH), vinculada à Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult).
Presentes para Salvador
Nesta segunda-feira, dia em que a cidade completa 472 anos, que presente você daria à terra de Todos-os-Santos? O trabalhador autônomo Augusto César Barbosa, de 45 anos, daria o fim da pandemia e, com ele, a possibilidade de voltar a sair de casa sem a máscara. “Acho que não haveria presente melhor do que ver as pessoas voltarem a sair às ruas tranquilamente, encontrarem-se uns aos outros. Ver os pais de família podendo voltar ao trabalho para sustentar os seus lares”.

Que presente Salvador merece? - Foto: Jefferson Peixoto
Para Barbosa, o fim da pandemia por Covid-19 seria representado, de maneira simbólica, pela retirada da máscara. O comerciante precisou dar uma pausa no trabalho com vendas, por conta do momento. Nesse período contou com a solidariedade de algumas pessoas, com as doações de cestas básicas, mas diz que não perdeu a esperança em ver o fim da pandemia e retomar as atividades.
Já Ana Bárbara de Jesus, de 42 anos, diz que daria mais oportunidade de emprego aos moradores – ela mesma tem pedido com fé pelo próprio posto que ocupa hoje, o de garçonete. “Muitas pessoas são qualificadas, mas não têm oportunidade. Às vezes, a empresa procura experiência, mas como você terá experiência se não tiver a oportunidade do primeiro emprego?”, questionou.
Segundo ela, o que mais atrai a atenção na capital baiana é justamente a divisão geográfica em Alta e Baixa e a ligação dessas duas “cidades” pelo Elevador Lacerda, considerado o maior elevador urbano do mundo e o primeiro a servir de transporte público.
De passagem pela capital, o mineiro Mauro dos Reis, 30 anos, daria um abraço para a primeira capital do Brasil em retribuição à energia boa que aqui tem encontrado. “Eu sou músico e sei que Salvador é berço da história brasileira, da cultura e da música. Daqui saem bons músicos para o país e para o mundo. É uma cidade que tem o calor das pessoas, os moradores são bastante receptivos, além de ter um clima ótimo. Aqui é sol praticamente o ano inteiro. Salvador merece ser visitada por todo o mundo”, opina.
A influenciadora digital Tairine Ceuta, 29 anos, daria um pozinho mágico para conservar o carisma e o encanto da cidade. "Meu desejo é que essa terra continue sendo alegre e receptiva. Por mais ariana e exigente que ela seja, eu desejo também que sobre paciência para aguardar o retorno das festas, pois eu sei que todo ariano adora uma festa", conta ela, que também é do signo de Áries.
Patrimônio – A primeira capital do Brasil preserva um Centro Histórico tombado como Patrimônio Mundial pela Unesco pela importância do seu conjunto arquitetônico, paisagístico e urbanístico. Salvador tem mais de 300 igrejas e duas delas se destacam no Pelourinho, segundo o historiador Chico Sena: a Catedral Basílica Primacial São Salvador, pela monumentalidade – a igreja foi toda construída em pedra de lioz trazida de Portugal –, e a Igreja de São Francisco, por ter a decoração mais rica em ouro do país.
Segundo o historiador, a riqueza da capital baiana está justamente em sua multiplicidade de aspectos. “É uma cidade plural, cuja arquitetura tem a convivência de vários séculos de história, possui várias linguagens e vários estilos”.
Elementos marcantes – É tradição na cidade, em dias normais, a realização de festas religiosas, como a de Santa Bárbara, Nossa Senhora da Conceição da Praia, a Festa do Bonfim e de Iemanjá. Aqui o catolicismo tem um convívio ligado às religiões de matrizes afro brasileiras e a influência africana tem uma presença muito forte também na culinária e na cultura, dando origem às moquecas, ao acarajé e a manifestações como o samba de roda e a capoeira.
Além de toda a riqueza histórica e arquitetônica, a cidade é cercada por aproximadamente 64 quilômetros de orla, considerando a Atlântica e a Baía de Todos-os-Santos, que vem passando por uma grande requalificação promovida pela Prefeitura. Agora, conta com iluminação em LED, mobiliário urbano, ciclovias, ciclofaixas e áreas para o lazer e prática de atividades físicas. Com o fim da pandemia, as pessoas vão poder desfrutar do banho de mar das águas calmas e mornas das praias soteropolitanas.
Estudantes criam poesias
As belezas naturais, a história, a alegria e o calor humano do povo baiano são algumas das inspirações que encontramos nos versos de poesia criados por alunos com idade entre 8 e 9 anos, do 3º ano do Colégio Cândido Portinari, para homenagear os 472 anos de Salvador, comemorados hoje, dia 29 de março.
Giovana Biondi e Pedro Soriano, ambos de 8 anos, relembram aspectos da história, cultura e turismo, incluindo a fundação da capital, a influência dos negros aqui escravizados na gastronomia e religião, além de cenários como Pelourinho e Elevador Lacerda (vídeos e pintura, anexos). Já Melissa Calmon, também 8 anos, destacou o mar, que se pode ver da janela de casa, “embelezando nossos lares”, como diz o seu poema.
Os alunos gravaram vídeos e fizeram pinturas para retratar os poemas escritos por eles, como explica a coordenadora pedagógica do ensino fundamenta anos iniciais, Micheline Orsi.

“Os poemas são resultado de um trabalho interdisciplinar de Língua Portuguesa, Geografia e História, com o qual a gente buscou incentivar a leitura e a construção de texto a partir de um contexto lúdico. Em março, comemoramos o mês da poesia e com a proximidade do aniversário de Salvador, a nossa cidade foi o tema abraçado pelas crianças”, explica Micheline, que ressaltou a importância desse tipo de iniciativa nesse período de aulas remotas.
“Nesse momento de aulas a distância, usar recursos da ludicidade contribui para o engajamento e para dar mais leveza para estas aulas”, avalia.

