O cantor e compositor Moraes Moreira morreu na manhã desta segunda-feira (13 de abril), no Rio de Janeiro, aos 72 anos. De acordo com as primeiras informações, o artista morreu dormindo em sua casa, na Gávea.
Conforme a assessoria do artista, ele morreu por volta das 6h depois de sofrer um infarto agudo do miocárdio. “A gente não sabe direito o que ocorreu. Nem eu, nem as irmãs sabemos”, disse Eduardo Moraes, irmão do cantor.
O corpo de Moraes Moreira foi encontrado pela empregada doméstica nesta manhã no apartamento em que ele morava. O artista vivia sozinho, segundo o irmão.
Ainda de acordo com a assessoria, as informações sobre o enterro não serão divulgadas para evitar aglomerações, recomendação de vários órgãos de saúde como prevenção à Covid-19.
A carreira
Moraes Moreira começou tocando sanfona de doze baixos em festas de São João e outros eventos de Ituaçu, o "Portal da Chapada Diamantina".
Na adolescência aprendeu a tocar violão, enquanto fazia curso de ciências em Caculé, Bahia. Mudou-se para Salvador e lá conheceu Tom Zé, e também entrou em contato com o rock n' roll. Mais tarde, ao conhecer Baby Consuelo, Pepeu Gomes, Paulinho Boca de Cantor e Luiz Galvão, formou o conjunto Novos Baianos, onde ficou de 1969 a 1975.
Juntamente com Luiz Galvão, foi compositor de quase todas as canções do Grupo.
O álbum Acabou Chorare, lançado pela banda em 1972, foi considerado pela revista Roling Stone Brasil em primeiro lugar[6] na lista dos 100 melhores álbuns da história da música brasileira divulgado em 2007.
Moraes Moreira teve 40 discos gravados, entre Novos Baianos, Trio Elétrico Dodô e Osmar e ainda dois discos em parceria com o guitarrista Pepeu Gomes.
Discografia
- 1975 – Moraes Moreira (Som Livre)
- 1977 – Cara e Coração (Som Livre)
- 1978 – Alto Falante (Som Livre)
- 1979 – Lá vem o Brasil Descendo a Ladeira (Som Livre)
- 1980 – Bazar Brasileiro (Ariola)
- 1981 – Moraes Moreira (Ariola)
- 1982 – Coisa Acesa (Ariola)
- 1983 – Pintando o Oito (Ariola)
- 1984 – Mancha de Dendê Não Sai (Ariola)
- 1985 – Tocando a Vida (CBS)
- 1986 – Mestiço é Isso (CBS)
- 1988 – República da Música (CBS)
- 1988 – Baiano Fala Cantando (CBS)
- 1990 – Moraes e Pepeu (Warner Music)
- 1994 – Moraes e Pepeu - Ao vivo no Japão (Warner Music)
- 1991 – Cidadão (Sony Music)
- 1993 – Terreiro do Mundo (Polygram)
- 1993 – Tem um Pé no Pelô (Som Livre)
- 1994 – O Brasil tem Conserto (Polygram)
- 1995 – Moraes Moreira Acústico MTV (EMI-Odeon)
- 1996 – Estados (Virgin)
- 1997 – 50 Carnavais (Virgin)
- 1999 – 500 Sambas (Abril Music)
- 2000 – Bahião com H (Atração Fonográfica)
- 2003 – Meu Nome é Brasil (Universal)
- 2005 – De Repente (Rob Digital)
- 2009 - A História dos Novos Baianos e Outros Versos (Biscoito Fino)
- 2012 - A Revolta dos Ritmos (Biscoito Fino)
- 2018 - Ser Tão (Discobertas)
Ouça 20 sucessos de Moraes Moreira
No dia 22 de fevereiro, o cantor e compositor Moraes Moreira animou o público do primeiro dia do Pôr do Sol, na Praça Castro Alves, em Salvador.
“Eu nasci aqui na Praça Castro Alves tocando no trio elétrico com Dodô e Osmar. Estou onde eu nasci para o Carnaval e onde eu tenho que estar sempre. Faz parte da minha vida e da minha história”, afirmou o artista.
Moraes, que tocou em cima de um pranchão pelo segundo ano do projeto, elogiou o novo formato alternativo de trio. “Adoro o formato pranchão. É perto do povo, da galera. Não é igual o trio lá em cima. A galera está logo ali”, disse, entusiasmado.
Sua última postagem, no Instagram, data de 3 semanas.
Ele escreveu: "Oi pessoal estou aqui na Gávea entre minha casa e escritório que ficam próximos, cumprindo minha quarentena, tocando e escrevendo sem parar. Este Cordel nasceu na madrugada do dia 17, envio para apreciação de vocês. Boa sorte.
Quarentena (Moraes Moreira)
Eu temo o coronavirus
E zelo por minha vida
Mas tenho medo de tiros
Também de bala perdida,
A nossa fé é vacina
O professor que me ensina
Será minha própria lida
Assombra-me a pandemia
Que agora domina o mundo
Mas tenho uma garantia
Não sou nenhum vagabundo,
Porque todo cidadão
Merece mas atenção
O sentimento é profundo
Eu não queria essa praga
Que não é mais do Egito
Não quero que ela traga
O mal que sempre eu evito,
Os males não são eternos
Pois os recursos modernos
Estão aí, acredito
De quem será esse lucro
Ou mesmo a teoria?
Detesto falar de estrupo
Eu gosto é de poesia,
Mas creio na consciência
E digo não a todo dia
Eu tenho medo do excesso
Que seja em qualquer sentido
Mas também do retrocesso
Que por aí escondido,
As vezes é o que notamos
Passar o que já passamos
Jamais será esquecido
Até aceito a polícia
Mas quando muda de letra
E se transforma em milícia
Odeio essa mutreta,
Pra combater o que alarma
Só tenho mesmo uma arma
Que é a minha caneta
Com tanta coisa inda cismo....
Estão na ordem do dia
Eu digo não ao machismo
Também a misoginia,
Tem outros que eu não aceito
É o tal do preconceito
E as sombras da hipocrisia
As coisas já forem postas
Mas prevalecem os relés
Queremos sim ter respostas
Sobre as nossas Marielles,
Em meio a um mundo efêmero
Não é só questão de gênero
Nem de homens ou mulheres
O que vale é o ser humano
E sua dignidade
Vivemos num mundo insano
Queremos mais liberdade,
Pra que tudo isso mude
Certeza, ninguém se ilude
Não tem tempo, nem.idade

Moraes Moreira - Foto: Sergio Isensee
Repercussão
Gilberto Gil disse que Moraes Moreira era um "menino do sertão da Bahia", que "ouviu encantado a música do mundo e fez dela seu universo expressivo. Deixa saudade e uma grande obra".
Para o prefeito de Salvador, ACM Neto, o cantor e compositor "foi de um dos mais brilhantes e completos artistas baianos", e, disse, "projetou com elegância a maior festa popular do planeta para cada esquina do Brasil e do mundo”.
Depoimento de Paulinho Boca de Cantor
ACM Neto disse também que Moraes Moreira deixa uma obra que serve de referência para todas as gerações. “A Bahia perdeu um artista que sempre será sempre lembrado não somente pelo que fez para a projeção do nosso Carnaval, mas, sobretudo, pela consistência de seu trabalho autoral. Aos amigos e familiares de Moraes Moreira, os meus profundos sentimentos”, concluiu o prefeito.
O Clube de Regatas do Flamengo divulgou nota lamentando "profundamente a morte do músico e ilustre rubro-negro Moraes Moreira".
O Esporte Clube Bahia divulgou, em sua conta no Twitter: "A Bahia e o Bahia choram. Um dos maiores ícones da nossa Música e Carnaval, o eterno Moraes Moreira nos deixou nesta manhã chuvosa de segunda-feira. Ai ai, saudade, você vai nos matar."
Nando Reis, cantor e compositor, disse: "Se houve um banda que fez minha cabeça foram Os Novos Baianos. Uso o plural porque não era só uma banda mas um bando de gente talentosa que juntos, produziram a música que colou a tradição do samba com a cultura do rock."
No vídeo
Novos Baianos, em 1973
Senadores lamentam
A morte repentina do músico baiano Moraes Moreira repercutiu entre os senadores. Nas redes sociais, eles prestaram homenagem ao cantor e compositor, relembrando suas canções, desde os anos 1970, como integrante do grupo Novos Baianos. De acordo com a assessoria do cantor, ele faleceu por volta das 6h, em sua casa, no Rio de Janeiro, aos 72 anos, após sofrer um infarto.
Para o senador Angelo Coronel (PSD-BA), as composições de Moraes Moreira serão um legado para a cultura popular brasileira. “Triste notícia da morte de Moraes Moreira, um dos ícones da música baiana e brasileira. Desde os Novos Baianos, ganhou fama e respeito como compositor e cantor. Meu respeito aos familiares neste momento. Vá em paz Moraes. Seu legado permanecerá levando alegria a todos nós”, disse.
O pioneirismo de Moraes Moreira ao cantar em cima de um trio elétrico e arrastar multidões pelas ruas de capitais como Salvador e Recife foi destacado pelo senador Jaques Wagner (PT-BA). “Primeiro artista a cantar num trio elétrico na década de 70, Moraes quebrou uma tradição e abriu caminho para o carnaval como conhecemos hoje. Com seu talento e genialidade ele deixa um legado inestimável para nossa cultura. Valeu, Moraes!”, agradeceu o senador.
As inovações introduzidas pelo cantor baiano na musicalidade brasileira também foram ressaltadas pelo senador Humberto Costa (PT-PE). “Que tristeza saber da morte do gênio Moraes Moreira, esse cara que assumiu tanto pioneirismo na nossa música, que introduziu tantas coisas novas nela e que a reinventou por dentro. Segue em paz, Moraes. Seguiremos de mãos dadas com tudo o que você nos legou em genialidade”, acrescentou.
O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) se solidarizou com os familiares e amigos do músico, a quem agradeceu pelas canções e poesias eternizadas na cultura brasileira. “Como farás falta nestes dias tão difíceis! Como tua poesia e tuas canções poderiam salvar o mundo! Grande Moraes Moreira, vai contigo parte de nós, parte da alegria. Hoje não tem festa, tem saudade de ti. Meus sentimentos à família e aos amigos. Obrigado por tudo, mestre!”.
Para a senadora Leila Barros (PSB-DF), ouvir Moraes Moreira é “entrar no túnel do tempo em uma viagem que começa no passado — desde os anos 1970, com os Novos Baianos — chega ao presente e se espalha pelo futuro. Pois sua obra é eterna. Triste e comovida, apresento minhas condolências aos familiares e amigos próximos”.
Algumas composições recentes e antigos hits de Moraes Moreira também foram lembrados pelos senadores.
“Eu tenho medo do excesso. Que seja em qualquer sentido. Mas também do retrocesso. Que por aí escondido", registrou o senador Fabiano Contarato (Rede-ES) pelo Twitter ao fazer referência à última composição do músico. “Lúcido e imprescindível! Sua partida nos dói. Sua essência continuará nos iluminando. Fica com Deus!", concluiu o senador.
O senador Izalci Lucas (PSDB-DF) também relembrou um grande sucesso do cantor ao prestar sua homenagem. “Que Deus conforte a família do músico Moraes Moreira. O compositor se vai. E "preta, preta, pretinha" fica. Sua música está no coração do Brasil!”, enfatizou.
Para Rogério Carvalho (PT-SE) a “cultura popular brasileira perde um grande nome. Um gigante que fortaleceu nossa brasilidade por meio da música. Triste notícia a morte de Moraes Moreira!”.
O senador Eduardo Braga (MDB-AM) também usou as redes sociais para se solidarizar com familiares e destacar a obra de Moraes Moreira:
“Nossa segunda começa triste com a notícia do falecimento do cantor e compositor Moraes Moreira, um dos maiores nomes da música do nosso país. Seu legado de exaltação ao Brasil e à brasilidade permanece”, disse.
"Moraes Moreira foi alegrar outras praças com seu zunzum. Lá de cima, deve tá olhando pra gente e dizendo: Besta é tu não viver nesse mundo", registrou o senador Jean Paul Prates (PT-RN) lembrando verso de uma composição do artista.
"Com tristeza, recebemos a notícia da morte de um dos grandes nomes da MPB, o cantor e compositor Moraes Moreira, nesta segunda-feira. Deus conforte seus familiares e amigos nesta hora de dor. Meus sentimentos", se solidarizou a senadora Zenaide Maia (Pros-RN) no Twitter.

