
O senador Flávio Bolsonaro (PL) anunciou nesse domingo (25 de outubro) que não reconhecerá o resultado do segundo turno da eleição presidencial e pretende recorrer à Justiça para pedir a anulação da votação.
Derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o candidato questiona a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou o horário de votação até as 19h.
A medida foi adotada após solicitação das duas candidaturas presidenciais, incluindo a campanha de Flávio Bolsonaro. Apesar de também ter pedido a ampliação do horário, o senador passou a contestar a decisão depois da divulgação do resultado, que apontou uma vantagem superior a 4,4 milhões de votos para Lula.
Em pronunciamento diante de seu comitê de campanha, em Brasília, Flávio afirmou que acionará sua equipe jurídica para tentar invalidar a eleição.
"É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Vamos usar nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições", declarou, acompanhado por aliados.
O senador argumentou que a mudança no horário de votação comprometeu a igualdade de condições entre os eleitores. Segundo ele, a decisão de Zanin, anunciada quando parte das seções eleitorais já havia encerrado suas atividades, criou diferenças na aplicação das regras entre cidades e estados.
Flávio também criticou o fato de a determinação ter partido de um integrante do STF, e não do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O candidato acusou Zanin, que atuou como advogado de Lula, de favorecer o presidente reeleito.
Para justificar sua posição, afirmou que não seria possível calcular quantos votos poderia ter recebido nas localidades onde as urnas já estavam fechadas e, portanto, não foram alcançadas pela prorrogação.
A decisão questionada pelo senador foi tomada em caráter de urgência, após Zanin considerar graves os relatos de dificuldades no transporte de eleitores, especialmente em municípios da Bahia e na cidade de São Paulo.
Inicialmente, a determinação estabeleceu a extensão do horário de votação por duas horas em todas as seções eleitorais. Entretanto, como o anúncio ocorreu próximo das 17h, horário originalmente previsto para o encerramento da votação, diversas urnas já haviam sido fechadas.
Após receber informações do TSE sobre essa situação, Zanin esclareceu que a prorrogação deveria ser aplicada exclusivamente às seções que ainda permaneciam abertas.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, orientou os tribunais regionais eleitorais a manter essas unidades funcionando até as 19h. Os votos registrados nas seções em que a votação já havia sido encerrada seriam contabilizados normalmente.
Durante o pronunciamento, Flávio Bolsonaro classificou os acontecimentos como inaceitáveis e reiterou suas críticas à atuação do STF. As declarações, entretanto, não foram acompanhadas da apresentação de elementos que comprovassem favorecimento eleitoral.
O senador encerrou a manifestação sem responder às perguntas dos jornalistas. Até o momento retratado nas informações divulgadas, não havia confirmação de que a campanha tivesse protocolado o pedido de anulação na Justiça.
