Nordeste

Procura por crédito cresce em todo o Nordeste nos últimos 12 meses

Paraíba lidera crescimento na região, com avanço de 22,3% (na Bahia, o crescimento foi de 17,4%)

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A procura por crédito cresceu nos nove estados do Nordeste nos 12 meses até julho de 2026. A Paraíba liderou, com alta de 22,3%. Seis estados superaram a média nacional de 17,1%, em um cenário de maior demanda entre consumidores de menor renda.

A procura dos consumidores por crédito cresceu em todos os nove estados do Nordeste no acumulado dos 12 meses encerrados em julho de 2026. Em seis deles, o avanço superou a média nacional de 17,1%, segundo o Indicador de Demanda dos Consumidores por Crédito da Serasa Experian.

A Paraíba liderou o crescimento na região, com alta de 22,3%, resultado 5,2 pontos percentuais acima da média brasileira. Na sequência aparecem Alagoas (21,2%), Piauí (20,4%), Maranhão (19,6%), Sergipe (17,8%) e Rio Grande do Norte (17,5%), todos também acima do resultado nacional.

Bahia, com crescimento de 17,4%, ficou ligeiramente acima da média do país. Pernambuco registrou avanço de 17,0%, enquanto o Ceará teve alta de 15,2%. Assim, embora a intensidade tenha variado entre os estados, nenhum deles apresentou queda no período.

Os números mostram uma expansão disseminada da busca por crédito no Nordeste. A liderança da Paraíba também coloca o estado acima da maior parte das unidades da Federação, embora os maiores crescimentos do país tenham sido registrados fora da região.

Mato Grosso liderou nacionalmente, com avanço de 36,7%, seguido por Acre (26,5%), Amapá (25,6%), Rio Grande do Sul (25,4%) e Roraima (24,5%). As menores altas foram observadas no Distrito Federal (11,3%), em São Paulo (12,8%) e no Rio de Janeiro (13,3%).

Procura cresce mais entre consumidores de menor renda

O avanço da demanda por crédito também apresenta diferenças relevantes conforme a renda dos consumidores. No país, o maior crescimento no acumulado de 12 meses ocorreu entre pessoas que recebem de um a dois salários mínimos, com alta de 38,8%.

Entre consumidores com renda de até um salário mínimo, o crescimento foi de 16,7%. Na faixa de cinco a dez salários mínimos, a procura avançou 14,8%. Já entre quem recebe de dois a cinco salários mínimos houve retração de 0,6%.

Segundo a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, a concentração do crescimento entre consumidores de menor renda ocorre em um ambiente de crédito mais caro e seletivo.

Na avaliação da economista, a necessidade de obter recursos para administrar o orçamento e as despesas cotidianas ajuda a explicar o movimento.

O cenário ocorre em um período de elevado comprometimento financeiro das famílias. Dados do Banco Central referentes a março de 2026 mostram que o endividamento das famílias correspondia a 49,8% da renda acumulada em 12 meses. O comprometimento da renda com pagamentos de operações de crédito estava em 29,3%.

Levantamento citado pela Serasa Experian aponta ainda que os brasileiros comprometem, em média, 74,6% da renda com contas básicas, fatura do cartão de crédito e pagamento de dívidas.

Na avaliação de Abdelmalack, a menor margem disponível no orçamento ajuda a explicar por que parte da procura por crédito está associada à administração das despesas familiares.

A economista afirma, ainda, que modalidades com taxas menores vêm apresentando desaceleração mais acentuada nas concessões, enquanto linhas rotativas, que cobram juros mais elevados, continuam sendo utilizadas por uma parcela relevante da população.

Alta anual chega a 16,9% em julho

Na comparação específica entre julho de 2026 e julho de 2025, a demanda dos consumidores por crédito aumentou 16,9% no Brasil.

A diferença entre as faixas de renda foi ainda mais acentuada nessa comparação. Entre consumidores que recebem de um a dois salários mínimos, a procura cresceu 57,3%. Na faixa de dois a cinco salários mínimos, houve avanço de 10,8%. As demais faixas de renda apresentaram retração.

Para Abdelmalack, os resultados indicam que o crescimento da demanda não ocorre de maneira uniforme. A economista avalia que a concentração da alta entre consumidores com menor margem financeira está mais relacionada à administração do orçamento doméstico do que à ampliação de despesas não essenciais.

O que o indicador mede

O Indicador de Demanda dos Consumidores por Crédito da Serasa Experian é baseado em consultas de CPFs realizadas durante processos de avaliação para concessão de crédito.

Dessa forma, o indicador mede a busca ou intenção de obter crédito e não significa necessariamente que o financiamento ou empréstimo tenha sido aprovado ou contratado.