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HIV: infecções recuam no mundo
e crescem no Brasil em 15 anos

País está entre 21 nações com alta superior a 20% entre 2010 e 2025; no mesmo período, o total global caiu 42%

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O Brasil está entre 21 países com aumento superior a 20% nas novas infecções por HIV entre 2010 e 2025. No mundo, houve queda de 42%, enquanto a América Latina avançou 25%. A tabela do Unaids não informa o percentual exato brasileiro.

O Brasil está entre os 21 países que registraram aumento superior a 20% no número estimado de novas infecções por HIV entre 2010 e 2025.

A informação consta do relatório especial United to End AIDS, divulgado pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids, o Unaids, em 27 de julho de 2026. A publicação não apresenta a taxa exata de crescimento do Brasil.

O resultado brasileiro contrasta com a tendência mundial. No mesmo período, o total anual estimado de novas infecções caiu de 2,1 milhões para 1,2 milhão, redução de 42% segundo o Unaids.

O que o relatório permite afirmar sobre o Brasil

A tabela classifica o Brasil entre os países que tiveram aumento superior a 20%, mas não publica os valores nacionais de 2010 e 2025 nem uma porcentagem individual.

Os 25% citados no relatório correspondem à variação da América Latina como região entre 2010 e 2025. 

América Latina avança na direção contrária à queda mundial

Embora o mundo tenha reduzido o número de novas infecções, o progresso foi desigual entre as regiões.

Segundo o relatório, houve aumento na América Latina, no Oriente Médio e Norte da África e no conjunto formado pela Europa Oriental e Ásia Central. Na América Latina, o crescimento foi de 25%.

Os números mundiais também possuem intervalos de incerteza. Para 2010, o Unaids estima 2,1 milhões de novas infecções, com intervalo entre 1,6 milhão e 2,9 milhões. Para 2025, a estimativa é de 1,2 milhão, com intervalo entre 950 mil e 1,7 milhão.

Como interpretar os números

Os dados do Unaids são estimativas epidemiológicas modeladas, produzidas com informações epidemiológicas e programáticas disponíveis. Eles não equivalem necessariamente ao número de diagnósticos ou notificações registrados em determinado ano.

Entenda
A diferença entre HIV e Aids


A principal diferença está no fato de que HIV é um vírus, enquanto aids é uma condição de saúde provocada pela progressão da infecção.

O HIV e a aids são frequentemente tratados como sinônimos, mas representam conceitos diferentes.

O vírus da imunodeficiência humana, conhecido pela sigla HIV, ataca células responsáveis pela defesa do organismo. Já a síndrome da imunodeficiência adquirida, chamada aids, corresponde ao estágio mais avançado da infecção, quando o sistema imunológico está gravemente comprometido.

A evolução para a aids pode ser evitada por meio do diagnóstico precoce e do tratamento com medicamentos antirretrovirais. Além do tratamento, estratégias como preservativos, testagem, Profilaxia Pós-Exposição e Profilaxia Pré-Exposição ajudam a reduzir novas infecções.

Uma pessoa pode viver com HIV durante muitos anos sem apresentar sintomas ou desenvolver aids. O tratamento reduz a quantidade de vírus no organismo, preserva o sistema imunológico e impede ou retarda a progressão da infecção.

Quando o tratamento mantém a carga viral indetectável, a pessoa não transmite o HIV por relações sexuais. Esse princípio é conhecido como Indetectável = Intransmissível, também representado pela sigla I = I.

Como o HIV é transmitido?

O HIV pode ser transmitido por fluidos corporais específicos, como sangue, sêmen, secreções vaginais e leite materno. A transmissão pode ocorrer em relações sexuais sem proteção, pelo compartilhamento de instrumentos contaminados com sangue e da gestante para o bebê durante a gestação, o parto ou a amamentação.

O vírus não é transmitido por abraço, aperto de mão, beijo social, compartilhamento de alimentos, copos, talheres ou pelo convívio cotidiano. Conhecer essas informações é essencial para combater o preconceito contra pessoas que vivem com HIV.

O que é a PrEP?

A Profilaxia Pré-Exposição, ou PrEP, é uma estratégia de prevenção destinada a pessoas que não vivem com HIV. Ela utiliza medicamentos antirretrovirais antes de uma possível exposição, criando uma barreira que dificulta a instalação do vírus no organismo.

No Sistema Único de Saúde, o esquema oral combina os medicamentos tenofovir e entricitabina. Quando usados conforme a orientação da equipe de saúde, eles bloqueiam caminhos utilizados pelo HIV para infectar as células.

A PrEP não é uma vacina, não elimina o HIV do organismo e não substitui o tratamento das pessoas que já vivem com o vírus. Também não protege contra outras infecções sexualmente transmissíveis nem evita gravidez. Por isso, faz parte de uma estratégia mais ampla chamada prevenção combinada, que pode incluir preservativos, testagem e acompanhamento de saúde.

PrEP diária e PrEP sob demanda

Existem duas modalidades principais de PrEP oral disponibilizadas conforme a avaliação individual.

PrEP diária - Um comprimido todos os dias. Para pessoas com exposições frequentes ou que não conseguem prever quando ocorrerão.

PrEP sob demanda - Esquema planejado antes e depois da relação sexual. Para grupos específicos que têm relações menos frequentes e conseguem planejá-las.

Na modalidade sob demanda, utiliza-se o esquema chamado 2 + 1 + 1: dois comprimidos entre duas e 24 horas antes da relação, um comprimido 24 horas depois da primeira dose e outro após mais 24 horas.

Essa modalidade não é indicada da mesma forma para todas as pessoas. As evidências disponíveis no protocolo brasileiro sustentam seu uso para grupos específicos, como homens cisgêneros, pessoas não binárias designadas como do sexo masculino ao nascer e algumas mulheres trans que não utilizam hormônios à base de estradiol. A escolha deve ser feita com uma equipe de saúde.

Quem pode utilizar a PrEP?

A PrEP pode ser indicada a qualquer pessoa sem HIV que esteja em situação de maior vulnerabilidade à infecção. A decisão não deve depender apenas da identidade de gênero ou da orientação sexual, mas das circunstâncias e necessidades individuais.

Entre as situações que podem levar à indicação estão:

-- Uso irregular de preservativos
-- Episódios anteriores de infecções sexualmente transmissíveis
-- Uso repetido da Profilaxia Pós-Exposição
-- Relações sexuais em contextos que aumentem a exposição ao HIV
-- Dificuldade de negociar formas de prevenção com parceiros

Antes do início, é necessário confirmar que a pessoa não tem HIV. Durante o uso, são realizados acompanhamento clínico, testagens regulares para HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis e avaliações solicitadas pela equipe responsável.

Onde encontrar a PrEP

A PrEP oral é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde, o SUS, em unidades de saúde e Centros de Testagem e Aconselhamento. O primeiro passo é procurar um serviço e solicitar uma avaliação.

Em julho de 2026, o Ministério da Saúde informou que o SUS continuava oferecendo a modalidade oral e que a incorporação de uma PrEP injetável de longa duração ainda seria analisada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS. Portanto, a apresentação oral permanece como a opção disponível nacionalmente neste momento.

Caso a possível exposição ao HIV já tenha ocorrido, a medida indicada pode ser a Profilaxia Pós-Exposição, ou PEP, que deve ser iniciada o mais rapidamente possível e, no máximo, até 72 horas após a situação de risco.