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Destroços de avião são encontrados no mar 74 anos depois da queda

Douglas DC-4 da Pan AM foi localizado a quase 610 metros de profundidade

O voo 526A caiu no Atlântico em 11 de abril de 1952, com 69 pessoas a bordo; 17 sobreviveram
A investigação apontou falhas de manutenção e decisões tomadas durante a emergência
O acidente também esteve entre os casos que motivaram propostas de novas regras de segurança

Os destroços do Clipper Endeavor, um Douglas DC-4 da antiga Pan American Airways, foram encontrados no Oceano Atlântico, ao norte de Porto Rico, 74 anos após o acidente que matou 52 pessoas. O avião está dividido em duas grandes partes, a quase 2 mil pés (aproximadamente 610 metros) de profundidade.

A aeronave foi localizada às 19h14 do dia 2 de junho de 2026, no horário do Atlântico. A descoberta, anunciada em 21 de julho, resultou de uma operação da Air/Sea Heritage Foundation, da empresa de exploração submarina Deep Sea Vision e do programa Expedition Unknown, do Discovery Channel. Imagens posteriores permitiram identificar o nome da aeronave e o símbolo alado da Pan Am na fuselagem.

O que aconteceu com o voo 526A

O voo 526A partiu do Aeroporto de Isla Grande, em San Juan, às 12h11 de 11 de abril de 1952, uma Sexta-Feira Santa. Seu destino era o Aeroporto Internacional de Idlewild, em Nova York, posteriormente rebatizado como Aeroporto Internacional John F. Kennedy. A bordo estavam 64 passageiros e cinco tripulantes.

Pouco depois da decolagem, a pressão do óleo do motor nº 3 começou a cair, enquanto a temperatura aumentava. O motor foi desligado e sua hélice colocada em posição de menor resistência. Durante o retorno a San Juan, o motor nº 4 também apresentou funcionamento irregular e perda parcial de potência.

Sem conseguir manter a altitude, a tripulação preparou um pouso de emergência no mar. O avião atingiu a água cerca de nove minutos depois de decolar e afundou aproximadamente três minutos após o impacto.

Sobreviventes relataram que as pessoas a bordo resistiram ao impacto inicial. A evacuação, porém, foi prejudicada pela entrada rápida de água, pelo mar agitado, pela dificuldade de acesso aos botes e pela falta de orientação prévia sobre a localização e o uso dos coletes salva-vidas.

Doze passageiros e os cinco tripulantes foram resgatados. Ao todo, 52 pessoas morreram.

Investigação apontou manutenção inadequada

O acidente foi investigado pelo Civil Aeronautics Board, órgão federal responsável por examinar acidentes da aviação civil nos Estados Unidos naquele período. O relatório foi aprovado em 23 de setembro e divulgado em 26 de setembro de 1952.

Na véspera do acidente, partículas metálicas haviam sido encontradas no sistema de óleo do motor nº 3. Segundo a investigação, os sinais deveriam ter levado a uma inspeção mais profunda e à substituição do motor. O avião, concluiu o órgão, não estava em condições adequadas de aeronavegabilidade quando deixou San Juan.

A causa provável foi dividida em dois fatores. O primeiro foi a manutenção inadequada, que permitiu a decolagem sem que o motor nº 3 fosse substituído. O segundo foi a insistência em tentar recuperar a subida sem empregar toda a potência disponível depois da perda crítica de potência, o que provocou redução de velocidade e perda progressiva de altitude.

Acidente contribuiu para novas regras de segurança

A investigação constatou que os passageiros não haviam recebido, antes da emergência, instruções suficientes sobre os coletes salva-vidas. O relatório também apontou que os botes estavam armazenados em um local de difícil acesso e que apenas um deles pôde ser lançado.

Em resposta ao voo 526A e a outros acidentes semelhantes, o Civil Aeronautics Board propôs alterações nas regras para voos sobre o mar. Entre elas estavam a instalação de equipamentos de flutuação em locais acessíveis e a orientação oral dos passageiros sobre coletes, botes e saídas de emergência, acompanhada de demonstração sobre como vestir o colete.

Por isso, o acidente é considerado um dos episódios que contribuíram para o desenvolvimento das demonstrações de segurança realizadas antes dos voos. Especialistas ouvidos pela Associated Press descrevem o caso como uma etapa importante de um processo formado por décadas de investigações e mudanças regulatórias.

Documentos históricos orientaram a busca

A busca moderna começou em 2019, quando o historiador de aviação e patrimônio marítimo Russ Matthews, presidente e cofundador da Air/Sea Heritage Foundation, passou a examinar documentos relacionados ao voo.

Uma tentativa realizada em 2024 foi interrompida pelo mau tempo. Posteriormente, pesquisadores encontraram nos Arquivos Gerais de Porto Rico depoimentos, transcrições e um mapa elaborado por pilotos da Força Aérea dos Estados Unidos que testemunharam a queda e auxiliaram as equipes de resgate.

Esses registros foram combinados com informações meteorológicas de 1952 para reduzir a área de busca a cerca de dez milhas náuticas quadradas. O veículo submarino autônomo encontrou uma estrutura compatível com o avião em sua primeira passagem pela região calculada.

O equipamento pertencia à família HUGIN e era transportado pelo navio de pesquisa Fugro Brasilis. Segundo a Air/Sea Heritage Foundation, os veículos operados pela Deep Sea Vision podem mapear o fundo do oceano sem ligação física com o navio e alcançar profundidades de até 6 mil metros.

Área poderá receber proteção e memorial

A Air/Sea Heritage Foundation informou que está em contato com o governo de Porto Rico para buscar proteção adicional para o local e defender a criação de um memorial dedicado às vítimas. A entidade também afirmou ter contatado familiares e os dois sobreviventes que, segundo seus registros, ainda estavam vivos no momento do anúncio.

A história da busca deverá ser apresentada em um episódio futuro de Expedition Unknown, previsto para 2026.