Saúde

Doença renal crônica exige mais atenção contra as hepatites B e C

Pacientes em pré-diálise ou hemodiálise devem verificar a vacinação contra a hepatite B

Pacientes renais têm indicação de um esquema especial de vacinação contra a hepatite B, definido conforme o histórico vacinal e os exames
Pessoas com doença renal crônica, principalmente as submetidas à hemodiálise, precisam de prevenção e rastreamento reforçados 
Não há vacina contra a hepatite C, mas a infecção pode ser diagnosticada por exames e tratada pelo SUS

Pessoas com doença renal crônica, sobretudo as que realizam hemodiálise, precisam de atenção reforçada contra as hepatites B e C.

O tratamento exige acesso frequente à corrente sanguínea, o que torna essenciais os protocolos de biossegurança, a vacinação contra a hepatite B e o acompanhamento laboratorial definido pela equipe de saúde.

O risco não significa que a hemodiálise transmita hepatite automaticamente.

Segundo o Ministério da Saúde, procedimentos invasivos, entre eles a hemodiálise, podem favorecer a transmissão da hepatite C quando não são cumpridos os cuidados adequados de biossegurança. A Anvisa também inclui, na avaliação dos serviços de diálise, a existência de protocolos para prevenir a transmissão das hepatites B e C e tratar pacientes com hepatite C.

Julho Amarelo reforça prevenção e diagnóstico

Instituído pela Lei nº 13.802/2019 e ampliado pela Lei nº 14.613/2023, o Julho Amarelo reúne ações de vigilância, prevenção, testagem e controle das hepatites virais.

As hepatites costumam evoluir silenciosamente e podem permanecer sem sintomas durante anos. Quando não são diagnosticadas e tratadas, as formas crônicas podem provocar fibrose, cirrose, câncer de fígado e necessidade de transplante.

O Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais de 2025 mostra que, entre 2000 e 2024, o Brasil registrou 49.999 óbitos com hepatites A, B, C ou D como causa básica. Em outros 45.959 registros, essas doenças apareceram como causas associadas. A hepatite C concentrou 75,3% do conjunto de óbitos, enquanto a hepatite B respondeu por 22%.

Por que pacientes em hemodiálise precisam de acompanhamento

A hemodiálise filtra o sangue de pacientes cujos rins não conseguem exercer adequadamente essa função. Como o procedimento é repetido regularmente e envolve acesso vascular, as unidades devem seguir medidas rigorosas de higiene, processamento de equipamentos, controle de infecções e monitoramento dos pacientes.

Foto: Arquivo Pessoal

A médica Manuela Lordelo

Segundo a nefrologista Manuela Lordelo, a doença renal também pode comprometer a resposta imunológica.

“Por isso, protocolos específicos de prevenção, rastreamento e controle são adotados nos serviços de Nefrologia”, afirma.

O cumprimento desses protocolos permite identificar possíveis infecções, impedir transmissões dentro do serviço e encaminhar rapidamente o paciente para avaliação e tratamento.

Vacina contra hepatite B tem esquema especial

A vacina é a principal forma de prevenção da hepatite B. Para pessoas com doença renal crônica, entretanto, o esquema pode ser diferente daquele aplicado à população em geral, porque a resposta imunológica desses pacientes tende a ser menor.

A instrução normativa do Calendário Nacional de Vacinação de 2026 determina que pacientes renais crônicos e hemodialisados sigam as recomendações específicas do Manual dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais.

Para pacientes suscetíveis em pré-diálise ou hemodiálise, o manual recomenda quatro doses, com o dobro da dose indicada para a idade, no esquema de zero, um, dois e seis meses. Também é indicada a avaliação da resposta por meio do exame anti-HBs. Para pacientes em hemodiálise, o documento prevê retestagem anual e dose de reforço quando os anticorpos estiverem abaixo do nível considerado protetor.

O esquema deve ser confirmado com a equipe de saúde, porque o histórico vacinal, os resultados dos exames e a condição clínica de cada paciente podem alterar a conduta.

O que o paciente deve verificar com a equipe
-- Se recebeu todas as doses recomendadas contra a hepatite B
-- Se realizou o exame para avaliar a resposta à vacina
-- Quando deverá repetir os testes para hepatites B e C
-- Quais cuidados devem ser adotados no serviço de diálise
-- Como será feito o encaminhamento caso algum exame seja positivo.

Hepatite C não tem vacina, mas tem tratamento

Diferentemente da hepatite B, a hepatite C ainda não possui vacina. A prevenção depende da testagem, do uso de materiais esterilizados e do cumprimento rigoroso das medidas de biossegurança.

O exame anti-HCV indica contato com o vírus. Quando o resultado é positivo, é necessário realizar o teste de carga viral, o HCV-RNA, para confirmar se há infecção ativa. O

SUS oferece tratamento com antivirais de ação direta, que alcançam altas taxas de cura, inclusive em pessoas com doença renal e pacientes submetidos à diálise.

“A prevenção continua sendo a principal aliada dos pacientes com doença renal crônica. Manter a vacinação em dia, realizar os exames recomendados e seguir o tratamento corretamente são atitudes que fazem diferença na proteção contra complicações”, afirma Manuela Lordelo.

Perguntas frequentes

A hemodiálise causa hepatite?
Não. A preocupação está relacionada à exposição ao sangue. Quando os protocolos de biossegurança são corretamente cumpridos, o risco de transmissão é reduzido.

Existe vacina contra as hepatites B e C?
Existe vacina contra a hepatite B. Não há vacina contra a hepatite C.

Todo paciente renal recebe o mesmo esquema de vacinação?
Não necessariamente. O esquema depende da situação vacinal, dos resultados sorológicos, da idade e da condição clínica. Pacientes em pré-diálise e hemodiálise têm recomendações especiais.

Onde fazer os exames?
Os testes podem ser solicitados pela equipe do serviço de diálise ou realizados na rede do SUS, conforme a organização local. Resultados positivos precisam de avaliação profissional e, no caso da hepatite C, de exame confirmatório.