Política

Jaques Wagner deixa liderança do governo após encontro com Lula

A decisão de deixar o cargo era esperada pelos aliados do governo

O senador nega irregularidades e diz que vai se dedicar à defesa e às eleições de 2026
 A defesa afirma que Wagner não atuou no Congresso para favorecer o Banco Master
Sobre valores apreendidos, a defesa declarou que o dinheiro tem origem lícita e comprovável

O senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou nesta quarta-feira (24 de junho) que deixará a liderança do governo no Senado.

A decisão foi comunicada após uma reunião de cerca de duas horas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no Palácio da Alvorada, e ocorre dias depois de o parlamentar ser alvo de mandados de busca e apreensão na Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas envolvendo o Banco Master.

Wagner era líder do governo no Senado desde o início do terceiro mandato de Lula. Ex-governador da Bahia, ele é um dos principais nomes do PT no estado e mantém relação política antiga com o presidente.

Segundo Wagner, o afastamento foi definido em comum acordo com Lula. Em publicação nas redes sociais, o senador disse que, neste momento, vai priorizar a defesa de sua inocência e a preparação para as eleições de 2026.

A 9ª fase da Compliance Zero foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, e incluiu medidas cautelares relacionadas a Wagner e a gestores ligados ao Banco Master.

Na quinta-feira (18), a PF cumpriu mandados em endereços ligados ao senador em Brasília e Salvador.

Wagner nega ter recebido dinheiro ou vantagens indevidas do Banco Master. Em entrevista à BandNews o senador afirmou que valores encontrados durante as buscas teriam origem em recursos recebidos do Senado para viagens oficiais.

O que a investigação apura

A investigação mira suspeitas de irregularidades no sistema financeiro e possíveis relações ilícitas entre executivos do Banco Master e agentes públicos.

A defesa do senador recorreu ao STF na segunda-feira (22) para tentar anular a decisão que autorizou as buscas. Os advogados afirmam que Wagner não atuou no Congresso para favorecer o Banco Master e sustentam que há “erros graves” na medida autorizada por Mendonça.

De acordo com a defesa, Wagner não apoiou medidas de interesse do Banco Master no Congresso. Os advogados afirmam que a única emenda apresentada pelo senador sobre o tema buscava limitar juros e proteger consumidores, e não beneficiar a instituição financeira.

A defesa também diz que Wagner se posicionou contra a chamada “Emenda Master”, proposta discutida no contexto da PEC 65/2023. Segundo os advogados, o relator da proposta, senador Plínio Valério (PSDB-AM), afirmou que não foi procurado por Wagner para tratar do assunto.

Sobre os valores apreendidos, a defesa declarou que o dinheiro tem origem lícita e comprovável. A Gazeta do Povo informou que foram apreendidos 55 mil dólares e 33 mil euros em espécie, além de relógios de luxo, em endereços ligados ao senador.

Relação com Augusto Lima também é investigada

A apuração também examina a relação entre Wagner e Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. Lima é ligado ao Banco Pleno, instituição que teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em fevereiro de 2026.

O STF autorizou buscas envolvendo Lima e investigadores apuram uma possível relação ilícita entre executivos do Banco Master, especialmente Lima e Vorcaro, e o senador.