
As chuteiras rosas tomaram conta da primeira rodada da Copa do Mundo de 2026. Com os titulares das estreias das 48 seleções, 365 dos 528 jogadores analisados usaram chuteiras em tons de rosa, o equivalente a cerca de 69% do total.
A presença da cor foi ainda mais forte em algumas equipes. Brasil, Colômbia e Alemanha tiveram todos os 11 titulares com chuteiras rosas em suas primeiras partidas. No elenco brasileiro antes da estreia contra Marrocos, apenas quatro dos 25 jogadores não usavam chuteiras nessa tonalidade.
Não é regra da FIFA
A onda rosa não vem de uma obrigação oficial para jogadores. As regras da IFAB, entidade que define as leis do futebol, tratam o calçado como parte do equipamento obrigatório, mas não estabelecem uma cor única para as chuteiras dos atletas.
Na prática, a escolha passa por contratos individuais, fornecimento de material por patrocinadores, preferência dos jogadores e coleções lançadas pelas marcas para o torneio. Por isso, atletas de uma mesma seleção podem usar fabricantes diferentes, mesmo quando a cor parece igual para quem assiste pela televisão.
Por que o rosa virou tendência?
A explicação principal é visual e comercial. O rosa forte contrasta com o verde do gramado, aparece bem em fotos, vídeos e replays e ajuda as fabricantes a transformar a Copa em vitrine global para seus modelos.
Marcas de material esportivo apostaram na cor para aumentar a visibilidade dos atletas e destacar seus produtos nos gramados. Lançamentos apostaram em tons parecidos para a competição.
Essa lógica funciona especialmente em um torneio de grande audiência. Em gols, dribles, faltas, pênaltis e comemorações, a chuteira aparece em closes e cortes para redes sociais. Mesmo quando o logotipo não fica claro, a cor chama atenção.
O dado das chuteiras pretas é simbólico. Durante décadas, o preto foi a cor tradicional do futebol. Nesta Copa, apenas sete titulares começaram suas partidas com chuteiras pretas.
Quando os principais modelos das grandes marcas chegam ao torneio em tons parecidos, muitos atletas patrocinados entram em campo com uma estética semelhante. A padronização, portanto, não foi imposta pela organização da Copa, mas surgiu da lógica dos contratos e dos lançamentos comerciais.
O Brasil virou exemplo da tendência
A Seleção Brasileira foi um dos casos mais visíveis da onda rosa. Na estreia todos os 11 titulares do Brasil usaram chuteiras rosas. O efeito chama atenção porque o uniforme brasileiro já tem uma identidade visual forte, com camisa amarela, calção azul e meias brancas.
Em fotos de equipe, a repetição da cor cria um bloco visual na base da imagem. Isso ajuda a explicar por que a tendência virou assunto entre torcedores: mesmo quem não acompanha marcas ou modelos percebe a semelhança nos pés dos jogadores.
Nem todos seguiram a cor dominante
Apesar do domínio do rosa, alguns atletas mantiveram modelos exclusivos. Nomes como Lionel Messi e Cristiano Ronaldo usam chuteiras desenvolvidas por seus patrocinadores com cores e referências próprias.
Essa exceção mostra outra camada do mercado esportivo. Para jogadores de grande peso comercial, a diferenciação individual pode valer mais do que seguir a cor dominante da coleção.
A tendência pode continuar?
A permanência do rosa dependerá dos próximos ciclos de lançamento das fabricantes. Em grandes torneios, marcas costumam apresentar pacotes especiais e depois renovar cores ao longo da temporada.
Mesmo que a tendência perca força após a Copa, ela já marcou visualmente a edição de 2026. Para muitos torcedores, este Mundial ficará associado à imagem de quase todos os jogadores usando chuteiras rosas.


