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Inverno começa sob efeitos do El Niño (veja o que muda no Brasil)

Estação começou às 5h24 deste domingo, 21 de junho de 2026, e vai até 22 de setembro

El Niño aumenta a chance de temperaturas acima da média em grande parte do país
O fenômeno costuma favorecer chuva acima da média no Sul
O El Niño ocorre quando há aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial

O inverno começou oficialmente no Hemisfério Sul às 5h24 deste domingo (21 de junho), e segue até 22 de setembro, quando terá início a primavera. No Brasil, a estação deve ser influenciada pelo El Niño, fenômeno climático associado ao aquecimento das águas do Pacífico Equatorial.

Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, a NOAA, as condições de El Niño estão presentes desde junho e devem se fortalecer nos próximos meses.

No trimestre junho-julho-agosto, a previsão climática citada pelo Observatório Nacional indica maior probabilidade de temperaturas acima da média em grande parte do Brasil. Isso não significa ausência de frio: massas de ar polar ainda podem avançar pelo Sul, Sudeste, parte do Centro-Oeste e áreas da Região Norte, com quedas pontuais de temperatura e possibilidade de geada em locais favoráveis.

El Niño pode dificultar avanço de frentes frias

O El Niño ocorre quando há aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. O fenômeno faz parte do sistema conhecido como ENOS, que alterna entre El Niño, La Niña e fase neutra.

De acordo com o Inmet, durante episódios de El Niño a temperatura da superfície do mar fica pelo menos 0,5°C acima da média por período prolongado.

Segundo o meteorologista Melquizedek Rafael Duarte da Silva, do Instituto Nacional de Meteorologia, o inverno pode ser menos rigoroso em parte do país. “A gente pode não ter um inverno tão frio quanto a gente já teve”, afirma.

Ele explica que o fenômeno tende a dificultar o deslocamento de frentes frias para áreas do Sudeste e do Centro-Oeste.

“O El Niño acaba criando um bloqueio, principalmente próximo a São Paulo, e não permite que as frentes frias avancem tanto para a região do Sudeste e também um pouco para a região Centro-Oeste”, diz.

Sul pode ter chuva mais intensa

O El Niño também aumenta a atenção para a Região Sul. O Inmet informa que o fenômeno costuma estar associado ao aumento dos volumes de precipitação no Sul, especialmente no inverno e na primavera.

Segundo Silva, esse padrão pode elevar o risco de chuva forte em curto intervalo de tempo.

“O El Niño favorece a ocorrência de mais chuvas na Região Sul, podendo causar eventos extremos de chuva, com chuva muito forte em um curto período de tempo. O inverno já é um período que chove na Região Sul. Com acréscimos dos efeitos do El Niño, isso pode ser agravado”, afirma.

Previsões ainda têm incertezas

Apesar das tendências, os efeitos do El Niño variam conforme a intensidade do fenômeno, a temperatura dos oceanos Atlântico Tropical e Atlântico Sul e outros fatores atmosféricos. O Inmet ressalta que os impactos podem mudar de acordo com essas condições.

Silva também afirma que o aquecimento global e as mudanças climáticas tornam mais complexas as projeções de longo prazo.

“As temperaturas mais quentes, por exemplo, podem ser sentidas por mais tempo. O que antes durava dois, três meses, a gente começa sentir por quatro, cinco meses. Isso acontece também com os períodos de estiagem, de chuva. Então, isso muda bastante a dinâmica da previsão climática para longo prazo”, diz.

Por que o inverno começa em junho

O início do inverno é definido pelo solstício, evento astronômico em que o Hemisfério Sul recebe menor incidência de radiação solar. Por isso, os dias ficam mais curtos e as noites mais longas, especialmente nas áreas mais distantes da Linha do Equador.

Enquanto o Hemisfério Sul entra no inverno, o Hemisfério Norte começa o verão. A diferença ocorre por causa da inclinação do eixo da Terra em relação ao plano de sua órbita ao redor do Sol.

No Brasil, a estação é percebida de formas diferentes por causa da grande extensão territorial do país. No extremo Sul, os dias de inverno têm menos horas de luz. Já em cidades próximas à Linha do Equador, como Macapá, a variação na duração do dia é pequena ao longo do ano.