As novas diretrizes dos Estados Unidos para tratamento de acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico trazem, pela primeira vez, recomendações específicas para crianças.
Elaboradas pela American Heart Association e pela American Stroke Association, elas destacam o reconhecimento rápido dos sintomas e a importância dos exames de imagem, além de estabelecerem critérios para tratamento em pacientes pediátricos.
O objetivo é acelerar o diagnóstico e o tratamento para reduzir o risco de sequelas. Embora mais raro, crianças também podem ter um AVC e, nelas, o evento está associado a problemas como malformação de vasos cerebrais, doenças cardiovasculares ou autoimunes, traumas, entre outros.
“As recomendações pediátricas desta diretriz representam um avanço importante, porque reconhecem formalmente que crianças também têm AVC e que o atraso no diagnóstico continua sendo um dos principais obstáculos”, avalia a neurologista Gisele Sampaio, do Einstein Hospital Israelita. “É um grande passo para padronizar decisões que antes dependiam de extrapolação da literatura adulta e de julgamento individual.”
Um acidente vascular cerebral pode ocorrer pelo bloqueio da circulação sanguínea no cérebro (AVC isquêmico) ou pelo extravasamento de sangue (hemorrágico). Em qualquer caso, cada minuto faz diferença. O AVC provoca a morte de células, podendo deixar sequelas nos movimentos e na fala e até levar a óbito.
Entre os principais sintomas, o documento destaca cefaleia súbita intensa com vômitos, sonolência ou convulsão, alteração visual e problemas de coordenação motora (ataxia). Também valem os sinais clássicos do protocolo FAST (da sigla em inglês Face, Arms, Speech, Time), que avalia a presença de assimetria na face, fraqueza em um dos braços e dificuldade de fala. Diante de qualquer um deles, é preciso buscar atendimento imediatamente.
Novos critérios para tratamento
A diretriz descreve critérios para restabelecer o fluxo sanguíneo com medicamentos ou procedimentos para retirar os trombos, estabelecendo prazos para uso de medicamentos a partir de 28 dias de vida e a possibilidade de trombectomia mecânica (a retirada do coágulo via cateter) em crianças com mais de 6 anos.
O documento reconhece que escalas de triagem criadas para adultos não distinguem bem o AVC pediátrico, que pode ser confundido com outros distúrbios, como enxaqueca, epilepsia, trauma e tumores.
Para Sampaio, um ponto positivo é a ênfase em exames de neuroimagem rápida, preferencialmente a ressonância magnética e a angiorressonância, que analisa veias e artérias. “Isso ajuda a afastar a possibilidade de outras doenças que podem apresentar sintomas similares e a diferenciar AVC isquêmico, hemorragia e outras causas”, explica a neurologista.
No caso de adultos, a nova diretriz também estabelece critérios mais amplos sobre quem pode receber o tratamento nas primeiras 24 horas, incluindo alguns casos antes considerados inelegíveis.

