
A rotina profissional foi apontada por 40% dos pacientes como o maior obstáculo para consultas e exames regulares no último ano, segundo levantamento do Olá Doutor. Horários pouco flexíveis, excesso de demandas e dificuldade de liberação pelas lideranças estão entre os fatores citados.
O estudo, realizado pela plataforma de consultas via chat com centenas de entrevistados, mostra que 2 em cada 5 pacientes procuraram atendimento médico menos vezes do que deveriam nos últimos 12 meses. Parte desse público recorreu à inteligência artificial e ao Google para esclarecer dúvidas de saúde.

De acordo com o levantamento, 55,4% dos participantes afirmaram ter ido ao médico com frequência no último ano e realizado os cuidados necessários. Por outro lado, 4 em cada 10 disseram que buscaram atendimento abaixo do ideal por causa de obstáculos da rotina.
O trabalho apareceu como o principal entrave. Para metade dos respondentes, a jornada profissional dificultou a realização de consultas e exames, principalmente por causa de horários rígidos, excesso de tarefas e dificuldade para conseguir liberação no expediente.
O cenário se relaciona ao modelo de jornada de parte da população ocupada. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, cerca de 30 milhões de brasileiros trabalham 40 horas semanais distribuídas em cinco dias. Outros 20 milhões cumprem seis dias de trabalho por semana, com cargas de 44 horas ou mais e pouca flexibilidade.
“Sabemos que o trabalho e as ocupações não param, mas o cuidado com nossa saúde também não deveria esperar”, afirmou Anderson Zilli, CEO da Olá Doutor.
No começo de maio, a marca fará uma ação presencial na linha 11-Coral da CPTM, em São Paulo. A campanha pretende chamar atenção para a importância de cuidar da saúde mesmo em meio à rotina intensa e apresentar as consultas online como alternativa de atendimento rápido, acessível e sem fila, inclusive durante o deslocamento ao trabalho.
O estudo também aponta que fatores ligados à experiência no consultório afastam pacientes do atendimento médico. A falta de empatia e de escuta ativa foi mencionada por 5 em cada 10 entrevistados.
Outros comportamentos relatados foram pressa durante a consulta, citada por 42,8% dos participantes, atrasos excessivos, apontados por 37,4%, orientações pouco claras, mencionadas por 36,4%, e a percepção de que sintomas foram minimizados pelos profissionais, indicada por 30%.

Diante dessas dificuldades, muitos pacientes buscaram informações fora do consultório. Nos últimos 12 meses, 53,2% dos entrevistados disseram ter usado a internet para tirar dúvidas de saúde, enquanto 45,8% recorreram a ferramentas de inteligência artificial para obter informações sobre o corpo e o organismo.
Durante o FUTR Health, evento promovido no último mês pelo Olá Doutor, o médico Jairo Bauer destacou a importância da escuta no atendimento.
"A consulta médica, independentemente de acontecer no digital ou no presencial, é um momento em que o paciente precisa ser ouvido com atenção. É ali que o profissional deve ir além dos dados e indicadores, buscando compreender de forma mais ampla aquilo que o paciente está trazendo", afirmou.

