Política

81 anos do Sinjorba são destaque na Assembleia Legislativa da Bahia

A solenidade reuniu profissionais da imprensa, dirigentes sindicais e representantes do poder público

Foto: LEIAMAISba
A presidente do Sinjorba, Fernanda Gama, o deputado Robinson Almeida e o vice-presidente da Fenaj, Moacy Neves
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A ALBA homenageou o Sinjorba pelos 81 anos de atuação na Bahia. A cerimônia, proposta por Robinson Almeida, reuniu jornalistas e dirigentes sindicais, destacou a defesa da democracia, da valorização profissional, da PEC do Diploma, de concursos públicos e do combate à precarização do trabalho.

A Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) realizou, nesta terça-feira (29), uma cerimônia em homenagem aos 81 anos do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (Sinjorba). O ato ocorreu no Plenarinho da Casa, por iniciativa do deputado estadual Robinson Almeida (PT), e também celebrou o Dia do Jornalista, comemorado nacionalmente em 7 de abril.

A solenidade reuniu profissionais da imprensa, dirigentes sindicais e representantes do poder público. Durante o evento, Robinson Almeida destacou a trajetória do Sinjorba na defesa dos jornalistas, da liberdade de imprensa e da democracia. O parlamentar lembrou que a entidade atravessou períodos autoritários da história do país, incluindo a ditadura militar.

“Poucos sindicatos alcançam mais de oito décadas de existência. O Sinjorba construiu uma trajetória de coragem, sempre ao lado dos trabalhadores da comunicação, da democracia e da verdade factual. Essa é uma instituição que orgulha a Bahia”, afirmou o deputado.

Robinson também declarou apoio às principais reivindicações da categoria e colocou o mandato à disposição dos jornalistas baianos. “Contem comigo na defesa dos jornalistas, na luta por direitos, pela valorização profissional e por condições dignas de trabalho”, disse.

Na cerimônia, o parlamentar defendeu ainda a PEC do Diploma, proposta que restabelece a exigência de formação superior específica para o exercício profissional do jornalismo. Segundo ele, a formação universitária contribui para a qualificação técnica, o desenvolvimento intelectual e o compromisso ético da atividade.

“O diploma representa valorização profissional e qualidade da informação. A formação universitária prepara tecnicamente, amplia a visão crítica e fortalece princípios éticos indispensáveis ao exercício do jornalismo”, pontuou.

O deputado também afirmou apoio à mobilização contra a precarização das relações de trabalho no setor, marcada por pejotização, perda de direitos e desvalorização salarial.

A presidente do Sinjorba, Fernanda Gama, agradeceu a homenagem e afirmou que o reconhecimento institucional deve resultar em avanços concretos para a categoria. “Celebrar os 81 anos do sindicato aqui na Assembleia é algo muito representativo. A gente agradece ao deputado Robinson Almeida por essa iniciativa e essa homenagem”, declarou.

Fernanda também defendeu a realização de concursos públicos para jornalistas na Bahia. “Esperamos que esse apoio também se traduza em conquistas para a categoria, como a defesa do concurso público para jornalistas no Governo do Estado, pauta histórica do sindicato”, afirmou. Durante a solenidade, Robinson Almeida manifestou apoio ao pleito.

Diretor do Sinjorba e vice-presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, Moacy Neves chamou atenção para os efeitos da precarização no mercado de comunicação. Segundo ele, a pejotização tem avançado no setor e provocado perda de direitos.

“Nós temos sofrido muito com o avanço da pejotização no setor de comunicação, que retira direitos e fragiliza a relação de trabalho, prejudicando por demais a categoria”, declarou.

Moacy também destacou a importância da presença dos trabalhadores na Assembleia Legislativa. “A presença dos trabalhadores na Casa Legislativa da Bahia é muito importante para garantir voz a um segmento que vem sofrendo muitos problemas, especialmente após as mudanças nas legislações trabalhista e previdenciária. Os trabalhadores sofreram perdas, e os jornalistas não são diferentes”, completou.

Representando o secretário estadual de Comunicação, Marcus Vinicius Di Flora, a jornalista Regina Ferreira ressaltou a relevância histórica do Sinjorba e a necessidade de manter o sindicato atuante junto à categoria.

“É uma importância fundamental. O Sinjorba completar 81 anos não é brincadeira. A gente tem que comemorar, tem que estar atuante, presente, mostrando para que serve o sindicato, como o sindicato ajuda os profissionais e está junto com a categoria. Isso é muito importante”, disse.

Regina também mencionou a parceria institucional entre o Governo do Estado e o Sinjorba, especialmente em ações voltadas à formação dos jornalistas baianos. Segundo ela, a cooperação com a Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (SETRE) tem permitido a realização de capacitações para profissionais da área.

“Sem falar da parceria que o Governo do Estado tem com o Sinjorba, que capacita, através da SETRE, com várias formações voltadas para os jornalistas. Isso é um grande ganho e uma grande importância também”, declarou.

O secretário de Comunicação de Camaçari, Geraldo Honorato, também destacou a atuação histórica do sindicato. Para ele, o Sinjorba tem contribuído para a Bahia e para o Brasil ao defender a democracia e melhores condições de trabalho para os jornalistas.

“O Sinjorba tem uma trajetória de grande contribuição para a Bahia e para o Brasil, sempre atuando na defesa da democracia e na luta por melhores condições de trabalho”, afirmou.

Discurso do deputado Robinson Almeida

É com alegria, na condição de proponente deste ato comemorativo, que nos reunimos na Assembleia Legislativa para celebrar os 81 anos do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia -- o nosso Sinjorba -- e também para saudar o Dia do Jornalista, celebrado em 7 de abril.

Propor esta homenagem não é apenas um gesto institucional. É um ato político. É o reconhecimento de que a história do Sinjorba se entrelaça com a própria luta do povo baiano e brasileiro por democracia, direitos e liberdade.

Fundado em 14 de abril de 1945, ainda como Associação dos Jornalistas da Bahia, em um momento de efervescência política com o fim do Estado Novo, o sindicato nasceu sob o signo da organização coletiva e da esperança democrática. Sua oficialização, em 17 de abril de 1951, com a carta sindical concedida pelo Ministério do Trabalho, consolidou uma entidade que já era, na prática, referência na defesa da categoria.

Desde então, são mais de oito décadas de coragem, resistência e compromisso com a verdade. O Sinjorba, que teve 18 presidentes ao longo dessa trajetória, funcionou inicialmente na Casa de Ruy Barbosa, de forma provisória, na rua do mesmo nome, sede da Associação Bahiana de Imprensa (ABI).

O Sinjorba esteve presente nos momentos mais difíceis da nossa história. Durante a ditadura militar, quando a censura tentou silenciar vozes e impor o medo, o sindicato foi perseguido, fechado, empurrado à clandestinidade, mas não foi derrotado. Resistiu. E ajudou a manter viva a chama da liberdade de expressão e da informação.

É importante lembrar também que esse período autoritário deixou marcas profundas.

Os interventores da ditadura militar destruíram documentos do Sinjorba, apagando parte importante da memória da entidade -- registros fundamentais sobre sua história, suas lutas e suas direções.

Hoje, há um esforço em curso de resgate dessa memória, com a busca de documentos em outras fontes, para reconstruir essa história que o regime autoritário tentou apagar.

Na redemocratização, o sindicato retomou sua atuação com vigor, e é justo aqui saudar Raimundo Lima, primeiro presidente do Sinjorba no período pós-ditadura, símbolo dessa retomada democrática e da reorganização da categoria.

Em um país que já enfrentou censura e autoritarismo, é fundamental reafirmar: não existe democracia sólida sem jornalismo forte. E não existe jornalismo forte sem trabalhadores valorizados.

O jornalismo é uma ferramenta essencial para a cidadania, especialmente quando ele se compromete com a pluralidade, a transparência e o compromisso com a verdade factual.

É por meio dele que a sociedade se informa, acompanha as decisões políticas, fiscaliza os poderes e constrói consciência crítica. Quando se ataca o jornalismo profissional, ataca-se o direito do povo à informação e à verdade.

E é justamente isso que temos visto em tempos recentes. A proliferação de fake news, os ataques aos trabalhadores da notícia, a tentativa de deslegitimar o trabalho jornalístico e a precarização das relações de trabalho representam ameaças reais à democracia.

Por isso, esta homenagem também é um posicionamento: estamos ao lado do jornalismo sério, ético, profissional, responsável e comprometido com os fatos. Estou ao lado dos trabalhadores da informação, dos operários da notícia.

Neste ato, ao lado do Sinjorba, também reforçamos a luta contra salários baixos, sobrecarga, insegurança, violência e a pejotização crescente da profissão.

Como textemunhamos, a trajetória do Sinjorba foi construída coletivamente, desde seus fundadores -- Aureo Contreiras, Alberto Vita e Mário Sandes -- até cada jornalista -- muitos aqui presentes - que ajudou a fortalecer essa entidade ao longo dos anos.

Aproveito para fazer uma menção especial ao protagonismo das mulheres no jornalismo baiano e no próprio Sinjorba.

Durante muito tempo, como vocês sabem, esse foi um espaço marcado pela hegemonia masculina. Mas mulheres pioneiras romperam barreiras e transformaram essa realidade com talento, coragem e compromisso. Trazendo pluralidade para um espaço que, por essência, deve ser plural!

É fundamental registrar e saudar as jornalistas Helô Sampaio, Marjorie Moura, Kardé Mourão e Fernanda Gama -- atual presidenta na gestão 2025-2028 --, únicas mulheres a presidir o Sinjorba em seus 81 anos de história.

Suas trajetórias representam não apenas conquistas individuais, mas avanços coletivos na luta por mais igualdade e representatividade.

Não posso, aliás, deixar de citar referências como Suely Temporal, Mariluce Moura e Zilah Moreira -- profissionais que deixaram marcas profundas no jornalismo baiano e nacional, enfrentando ambientes historicamente masculinos e contextos autoritários, a exemplo de Zilah, que não se curvou ao autoritarismo de ACM.

Elas abriram caminhos para as gerações que vieram depois.

Amigos e amigas jornalistas,

Ao propor este ato, reafirmo uma convicção: defender o jornalismo é defender a democracia. Fortalecer o sindicato é fortalecer a classe trabalhadora. E garantir informação de qualidade é garantir cidadania.

O Sinjorba, ao completar 81 anos, nos lembra que nenhuma conquista vem sem luta. E que é na organização coletiva que encontramos força para enfrentar os desafios do presente e construir um futuro mais justo.

Recebam, portanto, esta homenagem como o reconhecimento desta Casa à relevância histórica e social de cada jornalista e de sua entidade, o glorioso Sinjorba.

Que venham muitos outros anos de luta, conquistas, compromisso com a verdade e de boas notícias para a sociedade baiana.

Viva o Sinjorba! Viva o jornalismo!

Muito obrigado.