O Brasil registrou 1.006 greves em 2025, alta de 14% em relação ao ano anterior, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE).
As paralisações somaram cerca de 33,1 mil horas paradas, com maior concentração de mobilizações na esfera privada e maior volume de horas paradas no funcionalismo público.
Os resultados nacionais ajudam a dimensionar os temas que também impactam trabalhadores nordestinos, especialmente nos serviços públicos municipais, nos transportes, nas atividades terceirizadas, nas empresas estatais e nos setores de educação, saúde, limpeza, alimentação, portaria e recepção.
No funcionalismo público, o DIEESE registrou 395 greves, que somaram mais de 18 mil horas paradas. A maior parte ocorreu no nível municipal: foram 256 mobilizações, equivalentes a 64,8% do total do setor. Essas paralisações responderam por 54,3% das horas paradas no funcionalismo.
Entre os servidores públicos, profissionais da educação deflagraram 191 greves, o equivalente a 48% do total do funcionalismo. As principais reivindicações foram reajuste salarial, citado em 54,4% das greves, protestos contra governos, em 51,1%, e melhoria dos serviços públicos, em 50,4%.
A esfera privada liderou o número de paralisações em 2025. Foram 539 greves, ou 53,6% do total nacional. Essas mobilizações somaram quase 12,8 mil horas paradas. O setor de serviços concentrou 69,4% das greves privadas e 58,3% das horas paradas nessa esfera.
O perfil das reivindicações revela um quadro marcado por conflitos defensivos. Na esfera privada, 43,2% das greves cobraram pagamento de salários em atraso. A pauta de alimentação apareceu em 35,8% das mobilizações, e o reajuste salarial, em 22,4%.
Trabalhadores dos transportes, especialmente do transporte rodoviário coletivo urbano, protagonizaram 132 greves, o equivalente a 24% das paralisações privadas. Trabalhadores do turismo e hospitalidade, grupo que inclui limpeza, conservação, refeições coletivas, portaria e recepção, fizeram 121 greves, ou 22% do total.
Esses segmentos têm impacto direto na vida urbana. Quando trabalhadores do transporte coletivo param, o efeito chega rapidamente à circulação de estudantes, empregados do comércio, servidores públicos e trabalhadores informais. Quando terceirizados cruzam os braços, os reflexos aparecem em escolas, hospitais, repartições e empresas.
Empresas estatais registram alta expressiva
O número de greves nas empresas estatais cresceu 54% em relação a 2024, segundo o DIEESE. Em 2025, foram 71 greves, com pouco mais de 2 mil horas paradas. Os trabalhadores do setor de serviços responderam por 59,2% dessas mobilizações.
Entre as categorias com maior participação, aparecem os urbanitários, com 18 greves, e os trabalhadores das comunicações, com 17. O relatório cita majoritariamente os Correios, além da Empresa Brasil de Comunicação.
Reivindicações
No conjunto das 1.006 greves registradas no país, o principal item de pauta foi o reajuste salarial, presente em 35,1% das paralisações. Em seguida vieram alimentação, com 27,6%, pagamento de salários em atraso, com 25,8%, e condições de trabalho, com 24,5%.
A maior parte das greves teve caráter defensivo. Segundo o DIEESE, 81,2% das paralisações incluíram reivindicações desse tipo, voltadas à manutenção de condições vigentes ou à denúncia de descumprimento de direitos.
Essa característica ajuda a interpretar o cenário trabalhista nacional: em muitos casos, a greve foi usada menos para conquistar novos benefícios e mais para cobrar salários, direitos e condições mínimas de trabalho.
O relatório mostra que o segundo trimestre de 2025 teve o maior número médio de paralisações. Entre abril e junho, a média mensal chegou a 107 greves. No primeiro trimestre, a média foi de 75; no terceiro, de 79; e no quarto, de 74.
Maio foi o mês com maior número de greves, com 123 registros. Junho veio em seguida, com 104, e abril teve 95. O DIEESE relaciona esse movimento à sobreposição de datas-bases, propostas patronais consideradas insuficientes e protestos contra ajustes fiscais nas administrações públicas.
A maior parte das greves brasileiras de 2025 teve curta duração. Segundo o levantamento, 59,4% terminaram no mesmo dia em que começaram. Outras 24,5% duraram de dois a cinco dias. Apenas 9% passaram de dez dias.
A tática de greve de advertência apareceu em 43,5% das mobilizações. Já as greves por tempo indeterminado corresponderam a 52,5% do total.
Negociações resolvem maior parte dos conflitos
O DIEESE identificou informações sobre formas de resolução em 356 greves. Desse total, 87,9% tiveram negociação direta ou mediada. A Justiça participou de 32,3% dos casos, seja por decisão judicial, acordo ou outra forma de intervenção.
Entre as 351 greves com informação sobre resultado, 72,9% tiveram algum atendimento das reivindicações. Em 20,8%, o atendimento foi integral. Em 52,1%, foi parcial.
