
Em um espaço de 45 metros quadrados, em Brusque, Santa Catarina, os sócios Hang e Vanderlei deram início, em 1986, ao que viria a se tornar um império varejista, hoje conhecido como Havan (uma mistura dos dois nomes), e que vende mais de 350 mil itens.
A empresa planeja investir até R$ 1,2 bilhão em 2026 para inaugurar 15 megalojas e alcançar 200 unidades até o fim do ano. Analistas do Banco Safra avaliam que a varejista tem condições de executar o plano sem prejudicar sua estrutura de capital.
Na projeção dos analistas Machado e Pasqualini, a companhia conseguiria manter o cronograma de investimentos mesmo em um cenário de redução de até 20% na geração operacional de caixa.
A Havan concentra sua estratégia de crescimento em cidades médias e polos regionais do interior, onde vê maior potencial de consumo e menor saturação do varejo em relação às capitais, segundo reportagem da Gazeta do Povo.
Com 190 lojas no país, a maior parte das unidades está fora dos grandes centros urbanos.
Duas das lojas ficam na Bahia: em Barreiras (Av. Clériston Andrade, 3873 - Bairro Mimoso) e Vitória da Conquista (Av. Juracy Magalhães - Bairro Boa Vista).
De acordo com o dono da Havan, o empresário Luciano Hang (famoso como "O véio da Havan", termo cunhado como ofensa por integrantes da esquerda partidária e que ele adotou), a companhia mantém uma estratégia forte de interiorização e enxerga nas cidades médias uma oportunidade de expansão.
Segundo ele, o principal critério para definir a abertura de uma loja é o potencial regional. A empresa avalia o alcance da unidade, a localização, o fluxo de pessoas, especialmente em rodovias, e a demanda da comunidade. Também entram na análise a infraestrutura, o acesso, a disponibilidade de terrenos e o impacto econômico previsto.
Cada nova loja da Havan gera, em média, cerca de 200 empregos diretos, além de oportunidades indiretas. A empresa também aponta que suas unidades funcionam como centros de compras e lazer, capazes de atrair consumidores de dezenas de cidades próximas.
Para sustentar a expansão, a rede investe em logística. O Centro de Distribuição da Havan, em Barra Velha, Santa Catarina, ocupa 1,5 milhão de metros quadrados, com mais de 200 mil metros quadrados de área construída.
O complexo reúne aproximadamente 2,5 mil colaboradores, sendo mil motoristas e 1,5 mil profissionais da área operacional. Hang afirma que a estrutura garante agilidade e precisão no abastecimento das lojas, mesmo em unidades distantes.
São Miguel do Oeste, no extremo-oeste de Santa Catarina, deve receber uma unidade da Havan após mais de dez anos de tratativas.
O prefeito Edenilson Zanardi, do PL, disse à Gazeta do Povo que a instalação da loja não envolve incentivos fiscais. A prefeitura prevê apenas obras viárias no entorno, incluindo a construção de uma via marginal em um dos principais acessos do município. O prefeito afirma que a intervenção já seria necessária e que a Havan não pediu contrapartidas.
A unidade ficará próxima ao entroncamento das BR-163 e BR-282, ponto por onde passam mais de 12 mil veículos por dia. A expectativa é que a loja atraia consumidores de um raio de até 100 quilômetros.
A prefeitura estima a criação de mais de 100 empregos diretos e aumento do fluxo econômico local. A área de influência pode alcançar entre 30 e 50 cidades do oeste catarinense, além de regiões do Paraná e do Rio Grande do Sul, com população superior a 300 mil pessoas.
A proximidade com a Argentina, a cerca de 27 quilômetros, também é apontada como um diferencial. Zanardi afirma que argentinos já visitam São Miguel do Oeste e que esse movimento tende a crescer com a chegada da Havan. Para ele, a concorrência é saudável, pois a loja deve atrair visitantes que também podem consumir no restante do comércio local.

Os números da Havan
A Havan recebeu avaliação construtiva do Banco Safra sob a ótica de crédito, com perfil de risco baixo e perspectiva neutra, segundo informações da Gazeta do Povo. A análise considera a posição de caixa líquido da varejista, a geração consistente de caixa operacional e a capacidade de manter a expansão sem aumento relevante da alavancagem.
O relatório do Safra aponta que a Havan encerrou 2025 com crescimento expressivo de escala, embora com redução nas margens. A receita líquida consolidada chegou a R$ 13,7 bilhões, avanço de 17,1% em relação ao ano anterior.
Para os analistas, o ponto mais relevante é a estrutura financeira da companhia. No fim de 2025, a Havan tinha R$ 1,1 bilhão em caixa e dívida bruta de R$ 546 milhões.
Em 2025, a Havan inaugurou sete megalojas e ampliou em cerca de 5% sua área de vendas. A receita por loja cresceu 12,6%, o que, segundo os analistas, indica aumento de produtividade das unidades maduras e melhor aproveitamento da demanda nas regiões em que a empresa atua.
O posicionamento geográfico da rede também contribui para a resiliência operacional, conforme o relatório. A Havan atua principalmente em polos regionais com menor presença de shopping centers e grandes redes varejistas, o que reduz a concorrência direta.
Relatório dos analistas do Banco Safra estima que a geração de caixa livre da Havan somou R$ 136 milhões em 2025, acima dos R$ 117 milhões registrados em 2024. A geração operacional de caixa foi estimada em R$ 2,2 bilhões.
Entre os desembolsos do período, o Safra considera R$ 180 milhões em investimentos, cerca de R$ 421 milhões em despesas financeiras e arrendamentos e R$ 1,5 bilhão em dividendos.
Para o banco, esse dado mostra que a varejista preservou liquidez suficiente para manter sua estratégia de crescimento, mesmo após uma distribuição expressiva de resultados.
Para investidores de renda fixa, a conclusão do relatório é que a Havan segue como emissora de baixo risco de crédito. A visão se apoia em liquidez elevada, baixa alavancagem, geração consistente de caixa e em uma expansão considerada compatível com a atual estrutura de capital.
