
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nessa quarta-feira (25) que a definição sobre quando deixará o cargo está condicionada à possível viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos Estados Unidos para reunião com o presidente Donald Trump.
Em conversa com jornalistas, Haddad informou que deve se reunir com Lula nesta quinta-feira (26) para decidir se fará parte da comitiva presidencial. Segundo ele, a data de sua saída da Fazenda varia conforme sua eventual participação na viagem. “Se eu for [viajar], a data de saída é uma, se eu não for, a data é outra”, declarou na portaria do ministério, após retornar de compromissos na Índia e na Coreia do Sul ao lado do presidente.
Desde o fim de 2025, o ministro sinaliza que pretende deixar a pasta para atuar na campanha de reeleição de Lula. A saída chegou a ser cogitada para fevereiro, mas a previsão agora é que ocorra em meados de março.
Antes de deixar o cargo, Haddad pretende finalizar estudos sobre fontes de financiamento para a proposta de tarifa zero no transporte público, com apresentação prevista até abril. Ele também quer concluir a regulamentação relacionada à tributação de criptoativos.
Nos bastidores, o nome mais mencionado para assumir o Ministério da Fazenda é o do atual secretário-executivo, Dario Durigan. Se a mudança for confirmada, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, deverá ocupar a secretaria-executiva.
Embora tenha negado publicamente intenção de disputar as eleições deste ano, Haddad é pressionado por integrantes do PT a concorrer ao governo de São Paulo ou a uma das duas vagas ao Senado pelo estado. O ministro, contudo, mantém a posição de que não pretende participar do pleito.
Mais impostos
Fernando Haddad, afirmou que o aumento do imposto de importação sobre mais de mil itens tem caráter regulatório e pretende incentivar a produção nacional. A decisão, já aprovada pelo governo, pode elevar as alíquotas em até 7,2 pontos percentuais e atingir setores que dependem de compras externas.
Segundo Haddad, mais de 90% dos produtos afetados já são fabricados no Brasil, o que, na avaliação do ministro, reduz eventuais efeitos para o consumidor final. “Qual é o objetivo? Trazer essa empresa para o território nacional. Não tem impacto, a não ser na proteção da produção nacional”, declarou após retornar de viagem à Índia e à Coreia do Sul, onde acompanhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Parte das novas tarifas já entrou em vigor, enquanto os percentuais restantes passam a valer a partir de março. A medida também pode aumentar a arrecadação federal em cerca de R$ 14 bilhões por ano. O reforço no caixa é visto como apoio ao cumprimento da meta fiscal de 2026, que prevê superávit primário de R$ 34,3 bilhões, com margem para resultado zero e superávit de até R$ 68,6 bilhões.
O ministro destacou que a própria norma autoriza revisões pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, inclusive com possibilidade de reduzir ou zerar alíquotas, caso haja necessidade.
Entre os itens atingidos estão smartphones e equipamentos industriais, como caldeiras, geradores, turbinas, fornos industriais, robôs, empilhadeiras, tratores, plataformas de perfuração, navios, aparelhos de ressonância magnética, tomógrafos e instrumentos laboratoriais.
O anúncio provocou reações de parlamentares da oposição e de representantes do setor produtivo, que apontam risco de elevação de custos e de impacto nos preços. O governo sustenta que a medida corrige distorções e fortalece a indústria instalada no país.
No segmento de celulares, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que os aparelhos fabricados no Brasil, responsáveis por 95% do mercado nacional em 2025, não serão afetados. Apenas 5% dos dispositivos são importados.
Entre as marcas, a Xiaomi pode ser impactada por não produzir no país. Já Apple, Samsung, Motorola, Jovi, Realme e Oppo, segundo o governo, não sofreriam efeitos da mudança.
A decisão mantém tarifa zero para a importação de componentes sem produção equivalente no Brasil, estratégia apontada como forma de evitar aumento de custos para a indústria local.
