Ciência

Luz artificial aumenta casos de alergias causadas por pólens

Estudo aponta possíveis medidas para reduzir o problema

Foto: Ilustração Claude IA
A liberação de pólens aumenta sob iluminação artificial
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Estudo publicado na PNAS Nexus, com dados da NASA, indica que iluminação artificial prolonga e intensifica temporadas de pólen no leste dos EUA. Áreas mais iluminadas registram até 300 dias anuais com pólen significativo e maior proporção de níveis severos, ampliando riscos para alérgicos e asmáticos.

Plantas expostas à iluminação artificial florescem mais cedo e por mais tempo do que aquelas submetidas apenas à luz solar, elevando a concentração de pólen ao longo do ano. A constatação é de um estudo publicado na revista PNAS Nexus, com base em imagens noturnas de satélite da NASA que analisaram a região leste dos Estados Unidos.

Os pesquisadores cruzaram dados sobre o calendário das temporadas de pólen com mapas de iluminação artificial obtidos a partir do projeto Black Marble, da NASA. A análise comparou áreas com baixa ou nenhuma luminosidade noturna a regiões intensamente iluminadas.

Nas localidades com pouca luz artificial, a presença significativa de pólen variou entre 170 e 210 dias por ano. Já em áreas com iluminação intensa, o número de dias com altas concentrações chegou a 300 anuais, como observado em cidades como Nova York.

Além da duração, a intensidade também aumentou. Em regiões mais iluminadas, até 27% dos dias da temporada atingiram níveis considerados severos de pólen, enquanto em áreas com pouca ou nenhuma luz artificial esse percentual foi de 17%.

De acordo com o estudo, temporadas mais longas e intensas tendem a agravar sintomas de alergias e elevar riscos para pessoas com asma ou outras condições respiratórias sensíveis ao pólen transportado pelo ar.

Os autores apontam possíveis medidas para reduzir o problema, como diminuir a intensidade luminosa, instalação de barreiras em luminárias para evitar que a luz atinja diretamente a vegetação, uso de sensores de movimento para desligamento automático e reduzire a emissão de luz azul de alta energia, identificada como um dos principais fatores associados ao aumento da produção de pólen.

Segundo os pesquisadores, os resultados oferecem subsídios para que autoridades de saúde pública considerem a relação entre iluminação artificial e maior exposição ao pólen, bem como os possíveis impactos à saúde da população.