O Afoxé Filhos de Gandhy leva seus cânticos em iorubá, indumentária branca, fios-de-contas sagrados, perfumes e o ritmo marcante do ijexá para o circuito Barra-Ondina, nesta segunda-feira (16 de fevereiro), com concentração e saída no Farol da Barra a partir das 15h.
Na terça-feira (17), o desfile será no Circuito Osmar (Campo Grande), com saída no mesmo horário.
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Nesse domingo (15), o bloco Afoxé Olorum Baba Mi levou às ruas do Centro Histórico de Salvador um desfile marcado pela fé, pela ancestralidade e pela celebração da infância sagrada.
Com o tema “Ibejis: Sementes de Axé, a Luz do Amanhã”, o afoxé propôs um encontro entre tradição, espiritualidade e esperança, reafirmando sua trajetória de 46 anos dedicada à preservação e difusão da cultura de matriz africana.
Inspirado nos orixás gêmeos Ibejis, filhos de Xangô e Oxum, o cortejo fez uma homenagem à infância como símbolo de pureza, alegria e renovação espiritual.

Afoxé Olorum Baba Mi
Foto: Divulgação
A narrativa do desfile destacou a dualidade harmoniosa que esses orixás representam, como o fogo e a água, o masculino e o feminino, o Orum (céu) e o Aiê (terra), reforçando a ideia de equilíbrio como fundamento da vida e da existência coletiva.
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O Bloco Afro Infantil Ibéji desfilou pelo Circuito Osmar, no Campo Grande, fazendo do circuito um espaço de formação, identidade e celebração da cultura afro-brasileira.
Com música, dança e representatividade, o cortejo reuniu cerca de 800 participantes entre crianças, familiares e apoiadores, onde a festa também se tornou um momento de aprendizado e valorização das raízes.
Em 2026, o bloco completa 32 anos de fundação e levou para a avenida o tema “Kitembu – Guardião da Vida, dos Ciclos e da Ancestralidade”, responsável pela atmosfera, ventos, estações e, fundamentalmente, pelo tempo cronológico e mítico. A proposta trouxe reflexões sobre o tempo, os ciclos da vida e a importância de honrar as raízes ancestrais, tudo de forma lúdica e acessível para o público infantil.
Um dos destaques do desfile foi o lançamento da canção inédita “Negra Rainha”, que reforça a autoestima e o empoderamento de meninas negras desde a infância. A música integrou o repertório apresentado ao longo do percurso, dialogando com a missão educativa do projeto.
Presidente do bloco, Marta Santana destacou a trajetória e o propósito da entidade “Somos um bloco infantil que tem como missão trabalhar a ancestralidade e oferecer às nossas crianças esse referencial de identidade. O tema deste ano é Kitembu, Guardião da Vida, dos Ciclos e da Ancestralidade. A gente acredita que tudo tem seu tempo, que é preciso respeitar os ciclos. Trazer esse tema para a avenida é uma grande alegria para nós”.
Entre os foliões, a emoção também marcou presença. Dona Jandira, recepcionista de 63 anos que acompanha o bloco há anos, contou que hoje leva a tradição para as novas gerações da família. “Eu já saio no Ibéji há muitos anos. Meus filhos cresceram desfilando aqui e hoje já estão adultos. Este ano vim acompanhando minhas sobrinhas para que elas também conheçam e vivam essa experiência. É muito bonito ver as crianças aprendendo sobre a nossa cultura de forma tão alegre”.
A adolescente Raiana, de 12 anos, também fez questão de falar sobre o carinho que tem pelo bloco. Integrante da ala das baianas há quatro anos, ela não abre mão da fantasia a cada Carnaval. “Meu nome é Raiana, tenho 12 anos e esse é o quarto ano que eu saio no bloco, na ala das baianas. Eu fico muito feliz quando chega o Carnaval, porque eu já sei que vou estar aqui. Pra mim é muito lindo, é muito alegre. Eu gosto de tudo: da roupa, da dança, das músicas. Eu sempre quis sair nesse bloco e não quero parar, não.”

Bloco Afro Infantil Ibéji
Foto: Ascom Secult
Fundado com foco na educação racial e no fortalecimento da identidade negra infantil, o Ibéji é uma das principais referências da cultura afro-brasileira voltada às crianças no Carnaval de Salvador. Ao longo da trajetória, consolidou iniciativas simbólicas como a eleição de Rei Afro, Rei Mominho, Rainha Afro e Beijo, estimulando o protagonismo e o reconhecimento entre os pequenos foliões.
Além do desfile, o bloco desenvolve ações sociais que integram crianças de diversas comunidades à vivência do Carnaval, ampliando o acesso à festa e promovendo inclusão cultural. O trabalho também dialoga com a Lei 10.639/03, que estabelece o ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas.


