Carnaval / Cidade

Ilê Aiyê sobe a ladeira do Curuzu

O cortejo seguiu pelo Circuito Mãe Hilda Jitolu

Foto: Ascom Secult
O Ilê ressalta a união entre negros brasileiros e povos indígenas
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O Ilê Aiyê abriu o Carnaval 2026 no Curuzu com rituais tradicionais e o tema sobre resistência afro-indígena de Maricá. Em sua 51ª participação, o bloco destacou representatividade cultural, recebeu autoridades e reforçou políticas de incentivo. A Deusa do Ébano ressaltou o impacto social do título.

A tradicional saída do Ilê Aiyê, realizada na noite desse sábado (14 de fevereiro), no Ilê Axé Jitolu, no Curuzu, em Salvador, marcou a abertura do Carnaval 2026 da agremiação com rituais religiosos e a celebração do tema “Turbantes e Cocares: a história de resistência do povo afro e indígena de Maricá”, destacando a união entre negros brasileiros e povos indígenas.

A cerimônia de abertura contou com o lançamento de milhos, o banho de pipoca, a aplicação do pó de pemba e a soltura de pombas brancas. Após os ritos tradicionais, os tambores anunciaram a subida da Ladeira do Curuzu pelo bloco, acompanhado por moradores e foliões que se concentraram nas ruas e nas marquises das residências.

O cortejo seguiu pelo Circuito Mãe Hilda Jitolu, embalado por músicas consagradas do Carnaval. Ao concluir o trajeto, os participantes se deslocaram para o Circuito Osmar, percorrendo o trecho entre o Campo Grande e o Relógio de São Pedro, na Avenida Sete de Setembro.

Em sua 51ª participação na festa, o Ilê Aiyê reforçou o papel histórico de resistência cultural. O enredo deste ano destacou a presença afro-indígena em Maricá, no Rio de Janeiro, ao associar a trajetória do povo Tupinambá à história de quilombolas que enfrentaram a escravidão.

Fundador e presidente do bloco, Antônio Carlos Vovô afirmou que a expansão do movimento é motivo de satisfação. “Eu fico muito feliz com o resultado de ver esse projeto se espalhar pelo Brasil. Hoje tem bloco afro no Brasil quase todo. Essa revolução está no mundo. Onde chega tem jovens que foram formados aqui, que moram fora do Brasil e que dão continuidade a esse trabalho percussivo”, declarou.

A saída contou com apoio do Programa Ouro Negro, iniciativa da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia destinada ao incentivo de blocos afro. 

Reconhecido por valorizar a estética negra e ampliar a representatividade na festa, o bloco levou à avenida não apenas música, mas também uma mensagem de afirmação cultural e social.

Eleita Deusa do Ébano e estudante de jornalismo, Carol Xavier destacou o significado do posto. “Esse lugar de Deusa é muito mais que a forma corporal através da dança. É deixar uma mensagem da importância que isso traz para as crianças, para as mulheres das comunidades, as mulheres que um dia quiseram ser deusa, que ainda querem ser deusa. Já para as crianças é trazer uma perspectiva de vida, um olhar diferente, colocar elas nesse lugar de que elas podem ser também deusa, de que podem ser também potência, ainda que não seja nesse lugar de deusa, mas em outros polos da vida”, disse, enquanto se preparava para a saída sob os cuidados da estilista Dete Lima.