
O Homem da Meia-Noite saiu, na madrugada deste domingo (15), pelas ruas de Olinda, abrindo oficialmente o Carnaval 2026 da cidade. Com o tema Tambores Silenciosos, o calunga desfilou na Estrada do Bonsucesso carregando uma cartola representando a alfaia, instrumento de percussão emblemático para os povos de terreiro.
A saída, aguardada por uma multidão na Praça do Rosário, celebrou o início do cortejo, que percorre pelas principais ruas de Olinda. De paletó verde brilhante, o calunga foi vestido pela figurinista Haia Marak, artista local que trabalha com arte ancestral e comanda um ateliê no Sítio Histórico.
O bloco homenageou, neste ano, cinco figuras importantes para a história cultural de Olinda: grupo Bongar, Siba, Maciel Salu, Mãe Beth de Oxum e o Maracatu Nação Pernambuco.
Animação contagiante
A curiosidade para ver em primeira mão a roupa do calunga, mantida em segredo durante todo o tempo, é compartilhada por todos na cidade. É o caso de Alexsandro dos Santos, morador de Amaro Branco, que vê no Homem um símbolo fundamental para o Carnaval. “(Expectativa é) muita. A gente já tinha uma base, pela cartola”, compartilhou.
O técnico de informática se empenhou em passar aos filhos o amor e admiração pelo bloco. O pequeno Gael, de quatro anos, demonstrou empolgação em esperar o desfile carregando um mini boneco gigante do Menino da Tarde. “Sempre foi aqui nas ruas. O Homem da Meia-noite ele vê no YouTube, é o ano todinho Carnaval lá em casa”, destacou Alexsandro sobre o filho.
Os homenageados do Homem da Meia-Noite de 2026, em Olinda, reforçaram a importância do resgate histórico do bloco, conectado à cultura da cidade. Na concentração que aguardava a saída do calunga, Mãe Beth de Oxum, Bongar, Siba, Maciel Salú e Maracatu Nação Pernambuco destacaram as características que fazem do Homem uma das peças-chave da identidade olindense.
“É um dia de memória mesmo, principalmente pra quem é daqui dessa cidade e dessa região”, disse Mãe Beth, em entrevista ao LeiaJá.
Sobre a homenagem, a ialorixá declarou: “Esse reconhecimento de quem mora na comunidade, isso aqui é a periferia do Sítio Histórico de Olinda, é uma comunidade do Rosário dos Pretos. Então, eu quero dividir essa homenagem com todos os moradores da Barreira do Rosário.”
Figura fundamental na propagação das culturas ancestrais em Olinda, Maciel Salú relatou que a homenagem também representa resistência. “O Homem da Meia-Noite não é simplesmente um boneco. É um calunga, ele é um patrimônio da nossa cultura de Olinda, do estado de Pernambuco”, afirmou.
Ingrid, por exemplo, integrante do grupo Bongar, se emocionou ao falar da homenagem. “Eu tô muito feliz de estar aqui nesse dia comemorando com o grupo, e trazendo a minha ancestralidade, o meu terreiro”, contou.
Além de carregar a história e cultura, os homenageados também mencionaram a grata surpresa em terem sido os escolhidos para a edição. Para Siba, o convite é fruto do trabalho de uma vida. “Eu nunca esperei isso. É uma coisa de passar a vida com a presença do Homem no Carnaval e essa importância toda. De repente, você é chamado para ser homenageado, é difícil de explicar”, revelou.
Mestre Bernardo, que representa o Maracatu Nação Pernambuco, pontuou a felicidade de fazer parte do panteão.
“Nós ficamos muito felizes porque é uma homenagem gigante. Afinal, o Homem da Meia-Noite tornou-se o maior símbolo do Carnaval de Olinda pela sua gigantesca trajetória e, sobretudo, pelo acolhimento que o Homem tem com a comunidade”, comentou.


