As Nações Unidas lançaram um relatório advertindo sobre o impacto do preconceito à terceira idade em instituições e sistemas jurídico, social e de saúde.
O documento foi divulgado pelo Fundo de População das Nações Unidas, Unfpa, pelo Departamento Econômico e Social, Desa, pela Organização Mundial da Saúde e pelo Escritório da ONU para os Direitos Humanos.
Violação
Estima-se que a cada segundo, uma pessoa no mundo sofra preconceito “moderado ou alto” por se encontrar na terceira idade.
A alta comissária de Direitos Humanos, Michelle Bachelet, afirmou que o preconceito a idosos, conhecido em inglês como “ageism”, prejudica a todos: jovens e idosos. Ela pediu um combate tenaz ao problema, que classificou de “uma violação fundamental de direitos humanos”.
Para Bachelet, a discriminação a pessoas na terceira idade é quase sempre aceita e abrangente em políticas, legislações e instituições.
Alto preço
O estudo revela que o preço da discriminação aos idosos é alto. No ano passado, os Estados Unidos calcularam um custo de US$ 63 bilhões anuais com pessoas acima de 60 anos por causa de estereótipos.
Na Austrália, se 5% a mais de pessoas com 55 anos ou mais velhas tivessem empregadas, haveria um acréscimo de 48 bilhões de dólares australianos à economia, o equivalente a quase US$ 38 bilhões.
O relatório nota que em locais de trabalho, jovens e idosos estão, frequentemente, em desvantagem. E para os mais velhos, as oportunidades de treinamento são menores. Já o preconceito aos mais jovens ocorre nas áreas da saúde, da habitação e políticas que ignoram seus anseios.
Discriminação dupla
O estudo mostra que a resposta ao Covid-19 demonstrou como o preconceito está amplamente divulgado com estereótipos criados na mídia social. No caso dos idosos, a discriminação é usada como critério único para acesso aos cuidados de saúde, tratamentos vitais e isolamento social.
O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, diz que o mundo tem que se livrar desses estereótipos ao sair da crise de saúde global impedindo que a discriminação atrapalhe o acesso das pessoas à saúde, à dignidade e ao bem-estar.
Já a chefe do Unfpa, Natalia Kanem, afirma que é preciso tornar a crise da pandemia um momento de mudança sobre a forma como os idosos são vistos e tratados. Para ela, pessoas na terceira idade sofrem uma discriminação dupla que inclui fatores como pobreza, gênero, deficiências e minorias.
Estratégias
O relatório sugere estratégias para combater o racismo como a necessidade de políticas e legislações que enfrentem o tema, com ações educativas que levam a mais empatia e à desconstrução de concepções errôneas.
O documento cita ainda atividades entre as gerações para reduzir o preconceito com a terceira idade.
As agências da ONU dizem que todos os países e partes interessadas devem lançar mão de estratégias que melhorar a coleta de dados e a pesquisa.
A meta é uma cooperação multilateral para mudar mentalidades e a forma de enxergar, sentir e agir com relação ao envelhecimento. Com isso, o mundo deverá obter mais progressos na Década da ONU sobre Envelhecimento Saudável.