Política

Eleitores decidem mudar o Senado

40 novos nomes chegam à Casa em 2027

Um novo Senado está em construção, no Brasil
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O Senado terá ampla renovação em 2027: 40 das 54 cadeiras disputadas mudarão de titular e 14 senadores foram reeleitos. Doze mulheres conquistaram vagas, recorde desde a redemocratização. A composição efetiva ainda poderá sofrer alterações em razão das disputas estaduais e da convocação de suplentes.

O Senado Federal passará por uma ampla mudança de integrantes a partir de fevereiro de 2027. Das 54 cadeiras disputadas nas eleições desse domingo (4 de outubro), 40 serão ocupadas por novos titulares dessas vagas e 14 permanecerão com senadores reeleitos.

A renovação corresponde a 74% das cadeiras que estavam em disputa.

A mudança alcança metade das 81 cadeiras que compõem o Senado. Os 54 eleitos agora terão mandato de 1º de fevereiro de 2027 a 31 de janeiro de 2035. Eles se juntarão aos senadores eleitos em 2022 cujos mandatos seguem até 2031.

O resultado modifica a composição da Casa, mas não permite, isoladamente, antecipar como serão formadas as maiorias políticas no próximo mandato.

A distribuição partidária é apenas uma das dimensões dessa reorganização. A trajetória dos novos senadores, a formação de blocos, as mudanças decorrentes das eleições estaduais e a futura escolha da Mesa Diretora também influenciarão a dinâmica do Senado.

Maioria dos que tentaram a reeleição não conseguiu permanecer

A dimensão da renovação fica mais evidente quando se observa o desempenho dos senadores que tentaram renovar o mandato. Dos 32 integrantes da Casa que disputaram a reeleição, 14 foram reeleitos e 18 ficaram de fora. A taxa de reeleição entre os que concorreram foi de 43,7%.

O movimento, porém, foi menos intenso do que em 2018, última eleição em que dois terços do Senado foram renovados. Naquele pleito, também 32 senadores buscaram a reeleição, mas apenas oito conseguiram permanecer. A renovação atingiu então 46 das 54 cadeiras disputadas, ou 85,19%.

Em 2026, portanto, a mudança permanece expressiva, mas ficou abaixo da registrada oito anos antes.

Mulheres conquistam número recorde de vagas

Outra mudança está na presença feminina. Doze mulheres foram eleitas para o Senado entre as 54 vagas disputadas. Segundo a Agência Senado, é o maior número de mulheres eleitas para a Casa em uma única eleição desde a redemocratização.

O recorde anterior havia sido registrado em 2002, quando oito mulheres foram eleitas. Em 2018, sete conquistaram vagas.

A bancada feminina poderá chegar a 18 integrantes em 2027, considerando também suplentes que estiverem no exercício do mandato. Esse contingente corresponderia a 22,2% das 81 cadeiras. A composição efetiva dependerá, contudo, de quem estiver exercendo os mandatos quando a nova legislatura começar.

Experiência política continua presente

Renovação de nomes não significa necessariamente entrada de pessoas sem experiência na política. A lista dos eleitos inclui parlamentares, ex-parlamentares, governadores e ex-governadores, além dos 14 senadores que conquistaram novo mandato.

Entre os reeleitos estão Jaques Wagner (PT-BA), Humberto Costa (PT-PE), Eduardo Braga (MDB-AM), Marcelo Castro (MDB-PI), Carlos Portinho (PL-RJ), Marcio Bittar (PL-AC), Cid Gomes (PSB-CE), Alessandro Vieira (MDB-SE) e outros cinco senadores.

Entre os eleitos que chegam de outros postos políticos estão nomes como Arthur Lira (PP-AL), Helder Barbalho (MDB-PA), Mauro Mendes (União-MT), Renato Casagrande (PSB-ES), Rui Costa (PT-BA) e Guilherme Derrite (PP-SP).

Isso torna relevante distinguir duas formas de renovação: a troca dos ocupantes das cadeiras e a entrada de pessoas efetivamente novas na política institucional. Os dois fenômenos não são equivalentes.

Senado ainda poderá sofrer outras mudanças

A fotografia da Casa em fevereiro de 2027 ainda não está inteiramente definida apenas pelos 54 resultados para senador.

Isso ocorre porque algumas das 27 cadeiras que não foram submetidas à eleição neste ano também podem mudar de ocupante. Cleitinho (Republicanos-MG) e Sergio Moro (PL-PR), por exemplo, foram eleitos governadores. Outros senadores que possuem mandato até 2031 avançaram para o segundo turno das eleições estaduais.

Nessas situações, eventuais afastamentos dos titulares levam à convocação dos respectivos suplentes, alterando a composição efetiva da Casa sem que a cadeira tenha sido diretamente disputada para o Senado em 2026.

Um Senado diferente a partir de 2027

A eleição deste ano produziu, portanto, uma renovação significativa: 40 das 54 cadeiras colocadas em disputa mudarão de titular. Ao mesmo tempo, a presença de políticos com experiência anterior mostra que renovação parlamentar e renovação de carreiras políticas são fenômenos diferentes.

A composição definitiva do Senado que funcionará a partir de fevereiro de 2027 deverá ser analisada não apenas pelo número de cadeiras de cada partido, mas também pela formação dos blocos parlamentares, representação feminina, trajetórias dos eleitos, distribuição regional e mudanças provocadas pela saída de senadores eleitos para outros cargos.

É essa combinação que ajudará a definir a configuração política de uma Casa com atribuições decisivas, entre elas votar projetos e propostas de emenda à Constituição, analisar indicações para cargos como ministros do Supremo Tribunal Federal e apreciar processos de impeachment nos casos previstos pela Constituição.

Senadores eleitos em 2026

-- Acre (AC): Marcio Bittar (PL) e Mara Rocha (Republicanos)
-- Alagoas (AL): Arthur Lira (PP) e Marina JHC (PSDB)
-- Amapá (AP): Rayssa Furlan (PODE) e Lucas Barreto (PSD)
-- Amazonas (AM): Eduardo Braga (MDB) e Plinio Valério (PSDB)
-- Bahia (BA): Rui Costa (PT) e Jaques Wagner (PT)
-- Ceará (CE): Cid Gomes (PSB) e Luizianne (Rede)
-- Distrito Federal (DF): Michele Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL)
-- Espírito Santo (ES): Renato Casagrande (PSB) e Evair de Melo (Republicanos) 
-- Goiás (GO): Gustavo Gayer (PL) e Gracinha Caiado (União)
-- Maranhão (MA): Fufuca (PP) e Lahesio Bonfim (Novo)
-- Mato Grosso (MT): Mauro Mendes (União) e Zé Medeiros (PL)
-- Mato Grosso do Sul (MS): Reinaldo Azambuja (PL) e Capitão Contar (PL)
-- Minas Gerais: Domingos Sávio (PL) e Marília Campos (PT)
-- Pará (PA): Helder (MDB) e Chicão (União)
-- Paraíba (PB): João Azevêdo (PSB) e Veneziano (MDB)
-- Paraná (PR): Filipe Barros (PL) e Deltan Dallangnol (Novo)
-- Pernambuco (PE): Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT)
-- Piauí (PI):  Marcelo Castro e Júlio César (o Julim do Lula) (PSD)
-- Rio de Janeiro (RJ): Carlos Portinho (PL) e Carlos Jordy (PL)
-- Rio Grande do Norte (RN): Styvenson Valentim (Pode) e Samanda de Lula (PT)
-- Rio Grande do Sul (RS): Sanderson (PL) e Marcel Van Hattem (Novo)
-- Rondônia (RO): Dr. Fernando Máximo (PL) e Bruno Scheid (PL)
-- Roraima (RR): Nicoletti (PL) e Teresa Surita (MDB)
-- Santa Catarina (SC): Carol de Toni (PL) e Carlos Bolsonaro (PL)
-- São Paulo (SP): Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL)
-- Sergipe (SE): Rogério Carvalho (PT) e Delegado Alessandro (MDB)
-- Tocantins (TO): Eduardo Gomes (PL) e Alexandre Guimarães (MDB)