
O Brasil estreou na Copa do Mundo de 2026 com empate por 1 a 1 contra o Marrocos, nesse sábado (13 de junho), no New York New Jersey Stadium, em East Rutherford. Ismael Saibari abriu o placar aos 21 minutos, e Vinícius Júnior igualou aos 32.
O resultado deixou a Seleção com um ponto no Grupo C e aumentou a pressão por ajustes antes do jogo contra o Haiti.
A atuação brasileira foi irregular porque combinou reação individual de alto nível com problemas coletivos claros. O time de Carlo Ancelotti começou nervoso, perdeu bolas em zonas perigosas, sofreu pressão intensa e só evitou cenário pior por causa do gol de Vinícius Júnior e de defesas decisivas de Alisson no fim.
O Brasil demorou a entrar no jogo e permitiu que Marrocos criasse volume ofensivo cedo demais. Foram 12 finalizações marroquinas nos primeiros 30 minutos e apenas mais duas depois disso, ambas já nos acréscimos.
Análise crítica
A estreia mostrou um Brasil ainda em construção. O empate não compromete a classificação, mas derruba a sensação de controle que uma seleção favorita costuma buscar no primeiro jogo. A equipe manteve a série invicta em estreias de Copa, agora em 21 partidas desde 1938, mas a marca histórica não apaga o conteúdo da atuação.
O maior problema esteve na estrutura sem bola. Marrocos encontrou espaços entre a defesa e o meio-campo, acelerou após recuperações e atacou o Brasil antes que a equipe conseguisse se reorganizar.
O gol de Saibari nasceu de erro brasileiro na posse e passe vertical de Brahim Díaz, que partiu a última linha defensiva. A jogada expôs lentidão de cobertura, distância entre setores e decisão ruim na saída.
Com a bola, o Brasil também sofreu. Casemiro, Bruno Guimarães e Lucas Paquetá não deram estabilidade suficiente à circulação.
A equipe alternou passes laterais com perdas rápidas, o que impediu uma pressão sustentada no campo ofensivo. Ancelotti reconheceu que o time foi “muito desequilibrado” no primeiro tempo e afirmou que a formação inicial não deve permanecer fixa durante o torneio.
A boa notícia foi Vinícius Júnior. O atacante assumiu protagonismo quando o Brasil mais precisava, marcou seu 10º gol pela Seleção e mostrou capacidade de decidir mesmo em jogo travado.
A jogada do empate, com corte para dentro e finalização de direita, foi o lance de maior qualidade técnica do Brasil. Ao mesmo tempo, depender desse tipo de ação individual é um risco. Em mata-mata, uma equipe que só cria em lampejos fica vulnerável a adversários compactos.
Alisson também teve peso decisivo. Nos acréscimos, o goleiro evitou a virada de Marrocos em sequência de defesas após chute de Neil El Aynaoui e rebote de Ayoube Amaimouni-Echghouyab.
O lance final reforça uma leitura incômoda: o Brasil terminou a partida mais perto de perder do que de confirmar a virada.
O que precisa mudar
O primeiro ajuste deve ser no equilíbrio do meio-campo. O Brasil precisa reduzir perdas na primeira fase da construção, aproximar seus volantes e proteger melhor os zagueiros.
Também precisa atacar com mais gente entrelinhas, não apenas pelos lados. Quando Marrocos baixou o bloco no segundo tempo, a Seleção teve posse, mas pouca profundidade e poucas chances claras.
Outro ponto é a escolha do centroavante. Igor Thiago começou entre Raphinha e Vinícius Júnior, opção que surpreendeu antes do jogo, mas a equipe não conseguiu conectá-lo com frequência.
Sem Neymar, ausente por lesão, o Brasil precisa de mecanismos coletivos para compensar a falta de um articulador capaz de quebrar linhas por dentro.
O empate contra Marrocos deve ser lido sem exagero, mas com rigor. Não foi desastre, porque houve reação, ponto conquistado e manutenção da invencibilidade em estreias. Também não foi uma estreia de favorito sólido, porque o Brasil foi dominado no início, criou pouco de forma coletiva e dependeu de dois jogadores para sobreviver aos momentos críticos.
A resposta contra o Haiti, na sexta-feira, 19 de junho, será importante para medir se a estreia foi só nervosismo ou sinal de problemas mais profundos.

