
Inspirada no Dia Mundial do Rim, celebrado na segunda quinta-feira de março pela Sociedade Internacional de Nefrologia, a campanha Março Amarelo chama atenção para a prevenção e o diagnóstico precoce das doenças renais.
No Brasil, mais de 172 mil pessoas dependem de diálise para sobreviver, e a projeção indica aumento de 170% nos casos até 2032.
A Doença Renal Crônica (DRC) ainda apresenta alto índice de subdiagnóstico no país. Dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia indicam que mais de 80% das pessoas com DRC em estágio 3 desconhecem a própria condição.
Nos estágios iniciais, a enfermidade costuma evoluir sem sintomas evidentes, o que dificulta sua identificação. No entanto, exames simples, como análise de urina e medição da creatinina no sangue, permitem detectar alterações precocemente.
Segundo a médica nefrologista Manuela Lordelo, os rins exercem funções essenciais no organismo. Entre elas estão a filtração do sangue, a eliminação de substâncias tóxicas pela urina, o controle da pressão arterial, o equilíbrio de sais minerais e a produção de hormônios. Quando esses órgãos perdem a capacidade de filtragem adequada, diversos sistemas do corpo podem ser afetados.

A médica nefrologista Manuela Lordelo
“A doença renal pode evoluir de forma silenciosa. Diabetes e hipertensão são as principais causas, mas infecções urinárias de repetição, uso excessivo de anti-inflamatórios e histórico familiar também são fatores de risco importantes”, afirma a especialista.
Entre as condições renais mais frequentes estão a doença renal crônica, os cálculos renais e as infecções urinárias.
A nefrologista destaca que medidas preventivas são fundamentais para reduzir o risco de comprometimento dos rins.
Entre as recomendações estão manter a pressão arterial e a glicemia sob controle, adotar uma alimentação equilibrada com menor consumo de sal, praticar atividade física regularmente, garantir hidratação adequada e realizar acompanhamento médico periódico.
Manuela Lordelo ressalta que a identificação precoce das alterações renais aumenta as chances de controle da doença.
“Quando identificamos alterações renais no início, conseguimos intervir com medicação, ajustes no estilo de vida e monitoramento contínuo, retardando ou até impedindo a evolução para estágios mais graves”, explica.
Tratamento para casos avançados
A hemodiálise é indicada quando os rins apresentam perda significativa de função. O procedimento atua como um substituto artificial, filtrando o sangue e removendo toxinas e excesso de líquidos do organismo.
Apesar de ser fundamental para a sobrevivência de pacientes com insuficiência renal avançada, a especialista reforça que o principal objetivo das campanhas de conscientização é evitar que a doença alcance esse estágio.
“A hemodiálise é um recurso fundamental e salva vidas, mas a informação e o cuidado preventivo ainda são as melhores estratégias”, conclui.
