Bahia

Bahia tem 240 casos de violência contra mulheres em um ano

Entre os casos registrados no estado, 43 foram feminicídios

Foto: Paulo Pinto | Agência Brasil
Manifestação em defesa das mulheres
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Relatório da Rede de Observatórios da Segurança aponta 240 casos de violência contra mulheres na Bahia em 2025. Salvador concentra mais ocorrências. Feminicídios, agressões e estupros compõem o cenário, com 57,3% das vítimas de violência sexual entre 0 e 17 anos e predominância de agressores próximos às vítimas.

A Bahia registrou 240 eventos de violência contra mulheres em 2025, com destaque para casos de feminicídio e violência sexual que atingem principalmente crianças e adolescentes. Os dados fazem parte do relatório Elas Vivem: a urgência da vida, produzido pela Rede de Observatórios da Segurança, que monitora episódios de violência de gênero em nove estados brasileiros.

Segundo o relatório Elas Vivem: a urgência da vida, da Rede de Observatórios da Segurança, foram contabilizados 240 eventos violentos contra mulheres em 2025. Salvador lidera as ocorrências, com 62 casos, seguida por Camaçari, com 25, e Feira de Santana, com 15.

Entre os casos registrados no estado, 43 foram feminicídios. Também houve 47 episódios classificados como tentativa de feminicídio ou agressão física e 75 ocorrências de violência sexual. O levantamento aponta que esses crimes não são isolados, mas fazem parte de um quadro estrutural de violações que atingem mulheres em diferentes contextos sociais.

Um dos aspectos mais críticos identificados no estado é a vulnerabilidade de crianças e adolescentes. Entre as vítimas de violência sexual registradas na Bahia, 57,3% tinham entre 0 e 17 anos, o que indica forte impacto da violência de gênero nas faixas etárias mais jovens.

O relatório também destaca que grande parte dos feminicídios ocorreu após conflitos em relações afetivas. As principais motivações apontadas foram término de relacionamento e ciúmes. Em 29 casos, os crimes foram cometidos por cônjuges ou ex-cônjuges das vítimas.

Outro problema identificado é a falta de informações completas nos registros. Em 240 ocorrências analisadas na Bahia, 204 não tinham dados sobre raça ou cor das vítimas. Segundo a Rede de Observatórios da Segurança, essa ausência de dados dificulta análises sobre o impacto do racismo estrutural na violência contra mulheres negras e periféricas.

Os registros apontam ainda a presença significativa de armas nos feminicídios no estado. Foram identificados 14 casos cometidos com armas de fogo e 20 com objetos cortantes, o que evidencia a letalidade das agressões.

 

No conjunto dos nove estados monitorados pela Rede de Observatórios da Segurança, o levantamento identificou 5.358 eventos de violência contra mulheres em 2025. Entre eles estão casos de feminicídio, agressões físicas, estupro, cárcere privado e outras formas de violência de gênero.

De acordo com o relatório, a maior parte das agressões ocorre dentro de relações de proximidade. Parceiros, ex-parceiros e familiares são responsáveis por 56,1% das violências registradas, o que indica que o ambiente doméstico permanece como um dos principais espaços de risco para mulheres.

A cada 24 horas, 12 mulheres, em média, são vítimas de violência em nove estados acompanhados pela Rede de Observatórios da Segurança: Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo.

Em 86,7% dos casos, não havia identificação de raça ou cor das vítimas, o que, segundo os pesquisadores, dificulta a elaboração de políticas públicas direcionadas.

No recorte regional, alguns estados apresentaram indicadores específicos preocupantes. No Amazonas, por exemplo, 78,4% das vítimas de violência sexual eram crianças e adolescentes.

Já o Pará registrou aumento de 76% nos casos de violência, o maior crescimento entre os estados monitorados. No Rio de Janeiro, chama a atenção que 39,1% das ocorrências foram registradas na capital.

Como denunciar

É possível pedir ajuda e denunciar casos de violência doméstica e contra a mulher na Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, um serviço gratuito que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. 

O serviço está disponível também no WhatsApp: (61) 9610-0180 e pelo e-mail central180@mulheres.gov.br. 

Denúncias de violência contra a mulher também podem ser apresentadas em delegacias especializadas de atendimento à mulher (Deam) ou em delegacias comuns e nas Casas da Mulher Brasileira.