
O deputado estadual Robinson Almeida (PT) questionou o início de demolições e a supressão de vegetação em terrenos localizados na Praia do Buracão, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, durante o Carnaval. Segundo ele, as intervenções, destinadas à construção de espigões, ocorreram em meio ao feriado e levantam dúvidas sobre a transparência das autorizações concedidas pela gestão do prefeito Bruno Reis (União Brasil).
De acordo com informações recebidas pelo parlamentar de moradores da região, máquinas e trabalhadores começaram a derrubar imóveis e a limpar os terrenos em um dos dias de maior concentração de público na capital baiana. A área está vinculada a um projeto imobiliário que prevê a construção de edifícios de grande porte.
Para Robinson Almeida, a realização das obras durante o período festivo é inadequada diante dos possíveis impactos ambientais e urbanísticos do empreendimento. Ele classificou a medida como “inaceitável” e apontou falhas na condução do processo por parte do Executivo municipal.
“É inaceitável que uma obra com tamanho impacto ambiental e urbanístico avance dessa forma. Aproveitar o feriado de Carnaval, quando a cidade está com suas atenções voltadas para a festa, para iniciar demolições e devastar terrenos é uma estratégia que desrespeita a população e a transparência que o processo exige”, afirmou.
O deputado também cobrou esclarecimentos da administração municipal sobre a autorização das intervenções durante o Carnaval.
“A gestão do prefeito Bruno Reis precisa explicar por que autorizou e permitiu o início dessas intervenções justamente no Carnaval. A cidade não pode ser administrada sem diálogo e sem considerar os impactos para os moradores e para o meio ambiente”, declarou.
Segundo o parlamentar, há relatos de possíveis danos estruturais em imóveis vizinhos às obras.
Ele informou ter recebido denúncias de que muros próximos estariam apresentando tremores em decorrência das demolições, além de queixas sobre falhas no atendimento dos canais oficiais de fiscalização.
“Os moradores relatam que muros vizinhos às obras estão tremendo com as demolições e que os canais de denúncia da Prefeitura não estão atendendo às ligações. Isso é grave. A população precisa ser ouvida e os órgãos municipais precisam cumprir seu papel de fiscalização”, disse.
Robinson Almeida defendeu a apuração dos fatos pelos órgãos competentes, a revisão das licenças concedidas e a suspensão das intervenções até que haja debate público sobre os impactos do projeto. “Não se pode tratar a cidade dessa forma, sem diálogo e sem transparência”, acrescentou.
Até o momento, a Prefeitura de Salvador não se manifestou oficialmente sobre o início das demolições durante o feriado nem sobre as denúncias relacionadas à fiscalização.
