Brasil

Mortes por metanol: agora são
12 somente em São Paulo

A última vítima é uma homem de 26 anos, da cidade de Mauá

O governo do estado de São Paulo confirmou que um homem de 26 anos, de Mauá, região metropolitana da capital, morreu vítima de intoxicação por bebida alcoólica contaminada com metanol. Trata-se da 12ª morte por esta mesma causa no estado.

Segundo o boletim da Secretaria de Saúde, o estado registra 52 casos confirmados de intoxicação por metanol.

O governo estadual ainda investiga quatro mortes, sendo 1 em Guariba (vítima de 39 anos), 1 em São José dos Campos (de 31 anos) e duas em Cajamar, de 29 e 38 anos.

Em 2025, houve em São Paulo, sua região metropolitana e cidades em outros estados a comercialização de bebidas alcoólicas de origem clandestina ou sem procedência confiável. Muitos desses produtos continham metanol, substância tóxica e que podem causar a morte.

Diante da gravidade, o Ministério da Saúde criou uma sala de situação para acompanhar o problema. Foram feitas várias operações policiais para apreensão de bebidas adulteradas e também para capturar os criminosos responsáveis pela adulteração.

Agora, com esta nova morte em São Paulo, o país já tem 17 mortes provocadas por consumo de bebida alcoólica contaminada por metanol. 

São Paulo é o estado mais atingido pelo problema.

Formas de contaminação

A contaminação de bebidas alcoólicas por metanol ocorre, principalmente, durante processos irregulares de produção e armazenamento. O metanol é um tipo de álcool industrial, também conhecido como álcool metílico, que não deve ser consumido por seres humanos. Diferentemente do etanol -- álcool presente nas bebidas legalizadas -- o metanol apresenta elevada toxicidade.

A contaminação pode ocorrer em diferentes circunstâncias:

Produção artesanal inadequada - Durante a fermentação de matérias-primas vegetais, como frutas e cana-de-açúcar, pequenas quantidades naturais de metanol podem ser geradas.

Em processos industriais regulamentados, essa fração inicial da destilação é descartada.

Em produções clandestinas ou tecnicamente mal executadas, essa etapa pode ser ignorada, permitindo que o metanol permaneça na bebida.

Adulteração intencional - Em alguns casos, produtores ilegais adicionam metanol para aumentar o teor alcoólico ou reduzir custos de fabricação. Essa prática configura crime sanitário e representa alto risco de intoxicação.

Armazenamento e transporte inadequados - Recipientes contaminados ou reutilizados sem higienização apropriada podem favorecer a presença da substância em bebidas já prontas para consumo.

Como o metanol age no organismo humano

Após a ingestão, o metanol é rapidamente absorvido pelo trato gastrointestinal e levado à corrente sanguínea. No fígado, ele sofre metabolização por enzimas que o transformam inicialmente em formaldeído e, posteriormente, em ácido fórmico.

Esses metabólitos são responsáveis pela toxicidade.

O ácido fórmico interfere no funcionamento celular ao dificultar a produção de energia, provocando danos especialmente em tecidos sensíveis, como:

-- Sistema nervoso central
-- Retina e nervo óptico
-- Rins
-- Sistema respiratório

A ação do metanol também pode causar acidose metabólica, condição caracterizada pelo aumento da acidez no sangue, capaz de comprometer múltiplos órgãos.

Sintomas da intoxicação por metanol

Os sintomas podem surgir entre algumas horas e até cerca de um dia após o consumo, variando conforme a quantidade ingerida e a concentração da substância. \

Entre os principais sinais clínicos estão:

Sintomas iniciais
-- Náuseas e vômitos
-- Dor abdominal
-- Dor de cabeça
-- Tontura
-- Sensação de embriaguez atípica

Sintomas neurológicos e visuais
-- Visão borrada ou embaçada
-- Sensibilidade à luz
-- Perda parcial ou total da visão
-- Confusão mental
-- Sonolência excessiva

Sintomas graves
-- Falta de ar
-- Convulsões
-- Coma
-- Falência de órgãos
-- Risco de morte

A perda visual é uma das consequências mais características da intoxicação por metanol, podendo ser irreversível quando o tratamento não ocorre rapidamente.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico é realizado por avaliação clínica, histórico de ingestão de bebida suspeita e exames laboratoriais que identificam alterações metabólicas compatíveis com intoxicação.

O tratamento é considerado emergência médica e envolve diversas abordagens:

Administração de antídotos - Medicamentos específicos podem bloquear a transformação do metanol em substâncias tóxicas, reduzindo o dano ao organismo.

Hemodiálise - Procedimento que remove o metanol e seus metabólitos diretamente da circulação sanguínea, indicado em quadros moderados ou graves.

Correção da acidose metabólica - A reposição de substâncias alcalinas pode estabilizar o equilíbrio químico do sangue.

Suporte clínico intensivo - Pacientes podem necessitar de ventilação mecânica e monitoramento em unidade de terapia intensiva.

Medidas de prevenção

Especialistas em saúde pública destacam que a principal forma de evitar intoxicações é consumir bebidas alcoólicas de procedência comprovada, com registro sanitário e origem conhecida. A aquisição de produtos clandestinos ou sem rotulagem representa risco significativo à saúde.