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Ditadura iraniana massacra civis diante do risco de colapso interno

O Irã vive uma escalada de tensão interna com protestos que se intensificam em várias partes do país

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O Irã enfrenta protestos intensos motivados por crise econômica e insatisfação popular. O regime elevou o nível de alerta, restringiu a internet e reprime com violência. ONGs confirmam ao menos 51 mortes. O príncipe Reza Pahlavi convoca atos. A crise ameaça a estabilidade regional e preocupa potências internacionais.

O regime do aiatolá Ali Khamenei elevou o nível de alerta no Irã ao mais alto já registrado, superando o período da guerra com Israel, diante de uma onda de protestos alimentados por crise econômica e crescente rejeição popular ao governo.

O Irã vive uma escalada de tensão interna com protestos que se intensificam em várias partes do país. O regime do líder supremo Ali Khamenei respondeu com medidas severas, colocando as forças de segurança em alerta máximo e confiando quase exclusivamente na Guarda Revolucionária Islâmica para conter a instabilidade.

Segundo o jornal britânico The Telegraph, o estado de prontidão determinado pelo regime é superior ao adotado durante o recente confronto com Israel. Em meio à repressão, o Irã divulgou que suas “cidades de mísseis” subterrâneas estariam preparadas para reagir a eventuais ameaças externas.

A repressão interna tem se intensificado. Organizações de direitos humanos denunciam perseguição e prisão de agentes de segurança que se recusam a atirar contra manifestantes. A população enfrenta ainda severas restrições de comunicação: a internet permanece amplamente bloqueada, dificultando a articulação dos protestos e a divulgação de abusos.

Dados de ONGs indicam ao menos 51 mortes confirmadas, com alertas de que o número real de vítimas pode ser significativamente maior. Médicos de hospitais em Teerã relataram centenas de mortos somente na capital. Milhares de manifestantes foram presos e há também registros de baixas entre as forças de segurança.

Os protestos começaram em meio à insatisfação com a inflação, a desvalorização da moeda e o colapso econômico. Em pouco tempo, as manifestações assumiram caráter político, com palavras de ordem contra o regime, incluindo gritos de “morte ao ditador”.

No exílio, o príncipe Reza Pahlavi passou a ganhar destaque como figura de oposição, conclamando a população a participar de novos atos, greves e ocupações de áreas urbanas estratégicas.

A situação atrai atenção internacional. O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump voltou a afirmar que poderá intervir caso o regime promova massacres em larga escala contra a população.

A instabilidade no Irã preocupa por seu impacto direto na segurança regional e no equilíbrio de forças no Oriente Médio, especialmente em relação ao conflito indireto com Israel.

Queda do regime

Na sexta-feira (9 de janeiro), uma fonte revelou ao Israel de Fato que autoridades do país não consideravam que as manifestações no Irã pudessem resultar na queda do regime. Agora, no entanto, a avaliação mudou. Ou seja, Israel considera que existe a possibilidade de colapso do regime.

Importante deixar claro: trata-se de uma avaliação sobre a possibilidade, mas não uma indicação de que isso irá necessariamente acontecer.

Uma outra fonte revelou não haver intenção de ataque por parte de Israel, mas há um estado de alerta defensivo. Esta fonte reforçou também que Israel pode estar envolvido numa nova guerra contra o Irã mesmo que de forma involuntária.

A orientação para os membros do governo israelense é para que não façam comentários sobre as manifestações, até para não dar material que sustente a narrativa do governo iraniano de que os protestos são resultado de interferência estrangeira.

No entanto, na manhã deste domingo, o próprio primeiro-ministro Benjamin Netanyahu abordou o tema na abertura da reunião ministerial.

“Estamos enviando força aos heroicos e corajosos cidadãos do Irã. Quando o regime cair, faremos coisas boas juntos para o benefício de ambos os povos. E quando esse dia chegar, Israel e Irã voltarão a ser parceiros fiéis na construção de um futuro de prosperidade e paz”, disse.

Ataque dos EUA

A administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizou discussões preliminares sobre opções para um ataque ao Irã. A informação foi divulgada pelo Wall Street Journal, citando fontes oficiais.

O texto ressalta que foram debatidos possíveis alvos a serem atingidos. Um deles, bases militares.

Trump escreveu em sua rede social: “O Irã quer liberdade, talvez como nunca antes. Os EUA estão prontos para ajudar!!!”.

O presidente do parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, ameaçou diretamente Israel e Estados Unidos, caso o presidente Donald Trump cumpra a promessa de atacar o país.

“Se os Estados Unidos lançarem um ataque militar, tanto os ‘territórios ocupados’ (Israel) quanto as instalações militares e os centros de distribuição dos EUA se tornarão alvos legítimos para nós”, disse.

Apesar do discurso, Ghalibaf deu entrada no pedido de visto para a França, segundo o jornal francês Le Figaro.