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Polícia desconfia de grevistas no ataque a viatura em Salvador

A polícia também investiga se o chamado que gerou a saída da equipe policial foi forjado

Depoimentos dos policiais militares vítimas de um grupo criminoso que atirou contra uma viatura da 48a CIPM (Sussuarana), no bairro de Tancredo Neves, na noite desta quarta-feira (9 de outubro), relatam ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) detalhes sobre a ação ilícita.

Declarações dos PMs apontam para a participação de integrantes do movimento que convocou greve. 

Segundo os militares, o modo de atuação dos homens que abordaram a equipe não era característico do habitual enfrentado no dia a dia. No documento, um dos policiais é enfático ao relacionar o ato criminoso ao movimento de greve.

A polícia também investiga se o chamado que gerou a saída da equipe policial foi forjado pelo grupo que atentou contra a viatura. 

“A Corregedoria está investigando a fundo essa ocorrência, em parceira com a Polícia Civil. Os relatos das vítimas foram fundamentais e agora estamos na busca de câmeras e de outras testemunhas", informou o subcomandante-geral da PM, coronel Paulo Uzêda.

O governador Rui Costa publicou mensagem nas mídias sociais. "Não vou ficar de joelhos para nenhum terrorista, não vou aceitar chantagem", disse.

Segundo o Comando Geral, a informação de uma greve anunciada pelo deputado estadual Prisco  é "um movimento político sem a adesão da PM" e com a "intenção de criar clima de insegurança".

De acordo com o Comando Geral, "os policiais que não atenderem suas escalas responderão conforme Legislação Militar". 

A Polícia Civil já iniciou as investigações sobre ataques a estabelecimentos comerciais cometidos horas após um grupo anunciar paralisação. Já foram solicitadas perícias nas munições encontradas, imagens de câmeras da SSP e de segurança privadas.

Equipes dos departamentos de Polícia Metropolitana (Depom) e de Inteligência Policial (DIP) também buscam testemunhas das ações de vandalismo. 

"Não temos ocorrências desta natureza e, esta coincidência com os acontecimentos, logo depois do anúncio de greve, é determinante para o início das apurações", explicou o delegado-geral da Polícia Civil, Bernardino Brito.

O Departamento de Polícia Técnica (DPT) analisa projéteis usados em atos de vandalismo contra ônibus e estabelecimentos comerciais. 

Imagens do sistema de videomonitoramento da Secretaria da Segurança Pública serão utilizadas pela Polícia Civil para identificar os autores.

"É notório que estas ações criminosas partiram de um mesmo grupo, que busca, a qualquer custo, causar pânico. Chegaremos aos responsáveis", disse o secretário da Segurança Pública, Maurício Teles Barbosa.

PM armado fora de serviço

Equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) abordaram, na madrugada desta quinta-feira (10), um PM, que estava fora de serviço, com duas armas e colete balístico, em uma motocicleta, próximo do Shopping Paralela. O militar foi conduzido até a Corregedoria, onde prestou esclarecimentos.

As guarnições do Bope voltavam de uma reunião de alinhamento quando avistaram um homem parado e agachado na avenida Tamburugy, ao lado de uma moto, por volta da meia noite.

"As equipes se aproximaram e fizeram a abordagem. Não houve resistência e o PM foi conduzido sem maiores problemas. Naquela mesma região, um pouco mais cedo, um ônibus tinha sido parado por uma dupla, em uma motocicleta. O veículo acabou atravessado na pista. Diante disso, estamos atentos com situações suspeitas", contou o comandante do Bope, major Clédson Conceição.

No momento da abordagem, o soldado portava duas armas e um colete.O militar, assessorado por advogados da Aspra, foi liberado após comprovar que as armas e o colete estavam em situações regulares.

Ações ostensivas da Polícia Militar da Bahia, nas última 12 horas, capturaram 15 criminosos e apreenderam quatro adolescentes envolvidos com atos ilícitos. Cerca de 10 mil pessoas passaram por abordagens na capital baiana, nos municípios da Região Metropolitana de Salvador e nas cidades do interior do estado.

Pouco mais de 2.200 veículos, entre eles táxis e aplicativos, também foram revistados no mesmo período. Ainda nas últimas 12h, uma arma (revólver calibre 38) acabou apreendida e seis veículos recuperados.

"A tropa segue unida e consciente da sua obrigação com a população. Avançamos nos últimos anos e continuaremos conquistando melhorias", destacou o subcomandante-geral da PM, coronel Paulo Uzêda.

Investimento na Polícia

O governo da Bahia divulgou informações sobre o aperfeiçoamento dos equipamentos utilizados pelo efetivo da Polícia Militar da Bahia (PMBA) que atua tanto na capital quanto no interio, nos últimos dois anos.De 2018 para cá, e acordo com o governo baiano, foram investidos mais de R$ 50 milhões para assegurar novas viaturas, material bélico e a manutenção e implantação de Centros Integrados de Comunicações (Cicom).

Os investimentos na PMBA favorecem que se tenha uma efetiva prestação de serviço de segurança, destaca o diretor do Departamento de Apoio Logístico (DAL-PMBA), coronel Antônio Carlos Portugal. “Nesses últimos dois anos, o aporte foi bastante significativo, com renovação de frota, aquisição de material bélico e em tecnologia também. Todo esse investimento propicia melhores condições para a corporação e resulta em mais tranquilidade para a comunidade”, ressalta.

Viatura e armamento

No último biênio, foram assegurados mais de 880 veículos, divididos entre carros, motos e até quadriciclos.

Segundo o chefe do Centro de Gestão de Frota da PMBA, o capitão Paulo Assunção, as viaturas são “essas novas viaturas são empregadas no policiamento ostensivo realizado na capital e no interior, de modo a garantir ao cidadão uma melhor prestação do serviço policial, ao tempo em que proporciona ao público interno, melhores condições de trabalho”.

Quando se trata de armamentos, o valor investido para aquisição de novos dispositivos nos últimos dois anos supera os R$17 milhões, entre armamentos, munições, coletes e capacetes.

O chefe do Centro de Material Bélico da Polícia Militar, o tenente-coronel Juarez Giffoni, enaltece a compra de coletes. “Especificamente, em 2018, o investimento em equipamento de proteção individual, notadamente em coletes balísticos, foi extremamente importante para a PMBA, pois nos deu uma condição de praticamente um colete para cada policial militar. Estamos muito próximos de alcançar essa meta, que é um objetivo estratégico da corporação”, avalia.

São 23 Centros Integrados de Comunicações da Polícia Militar da Bahia, sendo 11 instalados nos últimos dois anos, com recursos da ordem de R$ 26 milhões. Essas unidades dotadas de sistema de comunicação e videomonitoramento atendem ocorrências de urgência e emergência em diferentes regiões do estado da Bahia.

De acordo com o superintendente de Telecomunicações da Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP), o coronel Antônio Magalhães, o tempo de resposta dos chamados foi reduzido e a meta é baixar ainda mais. “O tempo de resposta nessas regionais, que era em média, de 35 minutos, foi diminuído para 18 minutos. Estamos batalhando para chegar, no final de 2019, com uma marca de, no máximo, 15 minutos para o atendimento dos chamados”, disse.

Programa contra estresse

Desde 2016 a Polícia Militar da Bahia (PMBA) oferece à tropa um curso com técnicas de respiração que ajudam a lidar com o estresse, tanto na vida pessoal quanto na profissional. O curso é baseado no Happiness Program ('Programa da Felicidade', em tradução livre), ministrado pela organização internacional Arte de Viver, que desenvolveu uma abordagem específica para os militares. 

“Cerca de dois mil policiais militares já participaram do curso. O efeito do Programa Arte de Viver na corporação tem sido positivo. Os depoimentos são ótimos, os policiais relatam que os benefícios são grandes, tanto para a atividade de policial militar quanto no dia a dia deles com a família e amigos”, destaca a coordenadora do curso Arte de Viver na PMBA, major Claudia Mara.

A policial militar Milena Celina participou de uma das turmas e percebe os benefícios na saúde. “Eu roncava e parei. A minha convivência com meus colegas melhorou, porque a gente fica mais concentrado, calmo e alegre. Foi muito bom”, afirma a cabo. 

O coordenador de projetos estratégicos da Arte de Viver, Marcel Queiroz, explica que “o trabalho é específico para o policial militar, no sentido de que o curso é formatado para lidar com algumas questões vividas por ele". Queiroz acrescenta que "nos cursos regulares, nós também falamos sobre estresse e técnicas para gerenciá-lo, mas, no caso da polícia, nós nos aprofundamos em algumas questões típicas da profissão, para que os profissionais tenham mais qualidade de vida e melhor desempenho profissional”. 

Entre os dias 15 e 18 de outubro uma nova turma com 100 policiais participará do programa. O curso será ministrado na Vila Militar, no bairro do Bonfim, em Salvador.