Artes Visuais

Garimpeiros reveem o episódio de Serra Pelada e compartilham suas histórias

Em bate-papo mediado pelo jornalista Paulo Roberto Ferreira, no Sesc Avenida Paulista

Foto: Sebastião Salgado
Serra Pelada
Os mineradores falam sobre como era trabalhar no maior garimpo a céu aberto do mundo

No dia 4 de setembro, quarta, o Sesc Avenida Paulista promove o bate-papo "As Vidas de Serra Pelada", com a presença de garimpeiros que viveram e trabalharam no que foi omaior garimpo a céu aberto do mundo, na Amazônia Paraense.

A conversa mediada pelo jornalista Paulo Roberto Ferreira faz parte da programação integrada da exposição "Gold – Mina de Ouro Serra Pelada", registro da década de 1980 do premiado fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado.

Os mineradores Etevaldo da Cruz Arantes e Ivan Barros de Almeida Lima compartilham com o público sobre como era o dia-a-dia no garimpo, as vidas que se perderam, os homens que enriqueceram e os que saíram de mãos vazias.

A atividade é gratuita e para participar é necessário retirar ingressos com uma hora de antecedência.

O GARIMPO

Um morro que se transformou em cratera e a cratera que se findou lago, assim foi o processo de exploração da mina de ouro conhecida como Serra Pelada.

Desde sua descoberta em 1979, o local, na atual cidade de Curionópolis, chegou a receber 50 mil garimpeiros, de diversas partes do país, em busca do mesmo sonho: enriquecer. O "formigueiro humano", que recebeu o título de maior mina a céu aberto do mundo, tinha um fluxo intenso de trabalho, com 200 metros de diâmetro e mesma profundidade.

O garimpo era repartido em lotes de 2x3 metros, e os trabalhadores divididos segundo suas funções: meia-praça, cavador, apontador, apurador e o formiga.

Não eram permitidas mulheres, armas e álcool, sendo os policiais federais responsáveis por conter a violência. A mina foi fechada em 1992, por questões de segurança.

OS CONVIDADOS

Ivan Barros de Almeida Lima, 72 anos, nasceu em Grajaú, no Maranhão, chegou em Serra Pelada em fevereiro de 1980. Trabalhou duro carregando saco nas costas.

Pegou mais de 40 quilos de ouro e hoje vive como artesão no Distrito de Serra Pelada, município de Curionópolis, Pará. Sua casa é simples e a rua não é pavimentada.

Etevaldo da Cruz Arantes, 55 anos, ingressou no garimpo com 16 anos, na condição de "furão" (sem autorização). Nasceu no Espírito Santos, no município de Pinheiros, migrou com a família em busca de Terra e se estabeleceu em Marabá.

É uma das lideranças dos garimpeiros e por isso mesmo já enfrentou repressão e foi preso. Estava na ponte rodoferroviária, em 1987, quando a Polícia Militar desobstruiu a via de forma violenta. Ainda hoje mora em Serra Pelada.

Paulo Roberto Ferreira, 67 anos, jornalista e escritor, autor do livro "Encurralados na Ponte - o massacre dos garimpeiros de Serra Pelada". Já escreveu várias reportagens sobre a dinâmica de funcionamento e a vida nos garimpos no Pará.

A EXPOSIÇÃO

A exposição "Gold – Mina de Ouro Serra Pelada", em cartaz no Sesc Avenida Paulista de 17 de julho a 3 de novembro, traz o registro da década de 1980 feito pelo premiado fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado. 

As mais de cinquenta fotografias revelam o que foi o maior garimpo a céu aberto do mundo, na região da Amazônia Paraense. Até novembro uma série de atividades acontecem na programação integrada à exposição, com cursos, oficinas, bate-papos e saída fotográficas.