Saúde

Remédios para emagrecer estão elevando os problemas de saúde

Também cresceu a venda irregular desses medicamentos

Foto: Opas
Vários países relataram eventos de gravidade variada, com o uso dos remédios
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A Opas alertou para o aumento do uso inadequado de medicamentos da classe GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, nas Américas. A entidade pede maior monitoramento, destaca riscos de efeitos adversos e alerta para venda irregular e produtos falsificados, defendendo prescrição médica e acompanhamento clínico.

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) manifestou preocupação com a crescente disseminação de medicamentos utilizados para perda de peso nas Américas e pediu que os países reforcem o monitoramento para assegurar o uso correto desses produtos, diante do aumento de relatos de efeitos adversos associados ao uso inadequado.

Medicamentos como Mounjaro e Ozempic integram a classe dos agonistas do receptor GLP-1. Essas substâncias atuam na regulação do apetite e do metabolismo. Segundo a Opas, a expansão do uso desses produtos tem sido acompanhada por um número maior de notificações de eventos adversos.

Em alerta epidemiológico divulgado em 27 de fevereiro, a agência regional informou que diversos países registraram, nos últimos meses, efeitos adversos de diferentes níveis de gravidade. O documento menciona medicamentos da classe GLP-1, como semaglutida, dulaglutida, liraglutida e tirzepatida, indicados principalmente para tratamento de diabetes tipo 2 em condições específicas e, em algumas situações, para obesidade.

Os eventos adversos relatados com maior frequência são gastrointestinais e tendem a ser temporários. Entretanto, também foram registrados efeitos menos comuns, porém potencialmente graves, como pancreatite aguda, doenças da vesícula biliar e obstrução intestinal. A Opas acrescenta que outros riscos raros ainda estão sendo avaliados.

A organização também alertou para o crescimento da venda irregular desses medicamentos. O aumento da procura pode estimular a comercialização por canais não oficiais, incluindo internet e redes sociais, o que amplia o risco de circulação de produtos falsificados, não autorizados ou de qualidade inferior.

Autoridades regulatórias em diferentes países das Américas já divulgaram comunicados sobre o uso desses medicamentos fora das indicações aprovadas e sobre a identificação de produtos falsificados ou irregulares. De acordo com a Opas, o uso com finalidade exclusivamente estética, sem avaliação clínica completa ou indicação médica, pode expor pessoas a riscos desnecessários e comprometer o acesso de pacientes com indicação médica comprovada.

Os agonistas do receptor GLP-1 imitam hormônios produzidos no intestino. Com isso, aumentam a sensação de saciedade, ajudam a controlar os níveis de glicose no sangue e podem promover perda de peso significativa. Ainda assim, a Opas ressalta que o uso dessas substâncias deve ocorrer apenas dentro das indicações aprovadas e integrado a um plano clínico estruturado, com acompanhamento periódico.

A agência destaca que a obesidade é considerada uma doença crônica que exige abordagem contínua e multidisciplinar. Nesse cenário, intervenções farmacológicas devem ser avaliadas com cautela, levando em conta as características clínicas do paciente, possíveis comorbidades e o equilíbrio entre riscos e benefícios de cada tratamento.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) também publicou orientações globais baseadas em evidências científicas recentes sobre o uso desses medicamentos. Em fevereiro de 2026, um comitê de especialistas divulgou a 24ª edição da Lista Modelo de Medicamentos Essenciais.

O documento recomenda a inclusão de semaglutida, dulaglutida, liraglutida e tirzepatida como terapias adicionais para adultos com diabetes tipo 2 que também apresentem doenças cardiovasculares ou renais crônicas e obesidade.

O mesmo comitê não recomendou o uso dessas substâncias em pessoas com obesidade que não tenham diabetes tipo 2 ou outras comorbidades associadas.

A Opas orienta que os países das Américas garantam que o uso de agonistas do receptor GLP-1 esteja restrito às indicações aprovadas pelas autoridades reguladoras nacionais e integrado a planos abrangentes de manejo de longo prazo para obesidade ou diabetes.

A entidade também reforça que esses medicamentos devem ser utilizados somente mediante prescrição médica e com acompanhamento clínico adequado.