
O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais informou na noite dessa terça-feira (24) que subiu para 30 o número de mortes provocadas por enchentes e deslizamentos em Juiz de Fora e Ubá, na Zona da Mata de Minas Gerais. Segundo a corporação, 39 pessoas estão desaparecidas e 208 foram resgatadas com vida.
Ao todo, 134 militares atuam nas operações de busca e salvamento nos dois municípios. Durante a tarde, o balanço indicava 28 mortes, sendo 21 em Juiz de Fora e sete em Ubá, além de 40 desaparecidos. Ainda há registros de pessoas soterradas.
As chuvas intensas atingiram a região entre a noite de segunda-feira (23) e a manhã de terça (24). Houve transbordamento do Rio Paraibuna, alagamentos, deslizamentos de terra e áreas isoladas. Mais de 40 ocorrências emergenciais foram registradas por inundações e risco estrutural. A Defesa Civil estima que 440 pessoas estejam desabrigadas e já tenham recebido acolhimento provisório.
Dados do Instituto Nacional de Meteorologia indicam que, a partir de quarta-feira (25), uma nova frente fria poderá provocar mais chuvas intensas, inicialmente na Zona da Mata e nas regiões Sul e Sudoeste de Minas. Com o solo encharcado, o órgão recomenda atenção redobrada para risco de alagamentos, enxurradas e novos deslizamentos, especialmente em áreas vulneráveis.
No bairro Parque Jardim Burnier, na Zona Sudeste de Juiz de Fora, moradores relatam momentos de desespero. O eletricista Jorge Rocha afirmou que acordou na noite de segunda-feira com gritos e batidas à porta. “Era um desespero. Um monte de gente correndo. Falaram que era para todo mundo sair de casa. Eu vim para fora e aí vi o desastre”, contou.
Ele vive a cerca de 20 metros do ponto mais atingido pelo deslizamento, onde um conjunto de casas desmoronou após o barranco ceder. Segundo Jorge, um vizinho conseguiu sair dos escombros com vida. “Ele saiu sujo de barro, assustado. E passou a noite em busca da família. De manhã, os bombeiros encontraram os corpos da mulher e do filho”, relatou.
A enfermeira Débora Pena também presenciou o deslizamento ao subir o morro para retirar a avó de casa, localizada em frente à área afetada. “Eu moro aqui desde que era criança. Nunca tinha visto nada como isso. Na hora, começou a descer muita terra e pedra. E eu saí correndo e fui chamar socorro. Tá difícil de processar, a ficha ainda não caiu. Não consigo dormir desde ontem à noite. Eu conhecia todo mundo aqui. A gente quer tirar pelo menos os corpos para dar um enterro digno”, disse.
O governo federal reconheceu oficialmente o estado de calamidade pública em Juiz de Fora, o que permite a liberação de recursos e apoio imediato às áreas atingidas. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, afirmou nesta terça-feira que a prioridade é garantir ajuda humanitária de forma organizada e segura.
As autoridades alertaram para o aumento de tentativas de golpes por meio de transferências via PIX e campanhas falsas de arrecadação. “Diante de uma tragédia, infelizmente há quem tente se aproveitar da boa-fé das pessoas”, declarou o governador, reforçando que as doações devem ocorrer apenas pelos canais oficiais do governo estadual.
As contribuições financeiras devem ser feitas exclusivamente pela campanha SOS Águas, coordenada pelo Servas. O governo informou que a assistência inclui distribuição de alimentos e roupas às famílias afetadas.
Em relação às doações de mantimentos, o Estado orienta que alimentos, água, produtos de higiene e roupas sejam entregues à Defesa Civil de Minas Gerais. Não é necessário encaminhar donativos diretamente a Juiz de Fora, pois o abastecimento emergencial no município está sob controle.
Conforme atualização do governo estadual, Juiz de Fora contabiliza 200 desabrigados e 400 desalojados. Em Ubá, são 14 desabrigados e 46 desalojados. As equipes estaduais seguem mobilizadas em força-tarefa na Zona da Mata e monitoram o número de desaparecidos e as condições das áreas atingidas.
A Fundação Hemominas fez um apelo para doação de sangue. Segundo a instituição, “o volume atípico de águas tem impactado no deslocamento e comparecimento de doadores e servidores, contribuindo para colocar os estoques de sangue em níveis de alerta”.
O trabalho de resgate continua durante a noite nas áreas mais afetadas. De acordo com o subcomandante do 4º Batalhão de Bombeiros Militar, Demétrios Bastos Goulart, o efetivo foi ampliado no Parque Jardim Burnier. “Aqui no Parque Jardim Burnier, começamos com 12 militares, estamos com 25 agora. Estamos com um cão farejador também. É um trabalho ininterrupto, com parede de iluminação, equipamentos e revezamento de equipes. Vamos manter a área isolada, porque há novos riscos de deslizamentos, principalmente nas encostas.”
