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MacbethRicardoIII tem nova temporada no Teatro 2 de Julho

A obra cria um encontro fictício entre Macbeth e Ricardo III,

Foto: Diney Araújo | Divulgação
Em cena, os atores Israel Barretto e Saulus Castro
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MacbethRicardoIII – Um Tratado de Vilania volta aos palcos de Salvador entre 29 de janeiro e 1º de fevereiro. Com direção de Rino Carvalho e texto de Paulo Atto, o espetáculo reúne dois tiranos shakespearianos em confronto simbólico sobre poder, violência política e autoritarismo, promovendo reflexões sobre o presente.

O Coletivo DUO leva aos palcos uma nova temporada de MacbethRicardoIII – Um Tratado de Vilania, entre os dias 29 e 31 de janeiro, às 20h, e no dia 1º de fevereiro, às 19h, no Cine Teatro 02 de Julho, em Salvador. Com classificação indicativa de 18 anos, o espetáculo propõe um embate simbólico e ideológico sobre as estratégias de ascensão, manutenção e perpetuação do poder.

A obra cria um encontro fictício entre Macbeth e Ricardo III, dois reis tirânicos de Shakespeare, que se veem frente a frente em um espaço atemporal e desolado. A partir desse cenário, inicia-se um confronto direto entre discursos, práticas e métodos de vilania, revelando as semelhanças entre suas formas de atuação, apesar de aparentes diferenças ideológicas.

Israel Barretto e Saulus Castro, integrantes do Coletivo DUO, interpretam os personagens principais sob direção de Rino Carvalho. O texto inédito é assinado por Paulo Atto. Inspirada nas tragédias Macbeth e Ricardo III, a montagem estabelece uma ponte entre o passado e o presente ao refletir sobre discursos autoritários, estruturas opressoras e os impactos da violência política nas sociedades contemporâneas.

Selecionado pelo Prêmio Funarte de Estímulo ao Teatro em 2022, o espetáculo estreou em 2023 e surge em um momento marcado por intensas tensões políticas e sociais.

A dramaturgia investiga como práticas autoritárias do passado continuam se reproduzindo na atualidade, sustentadas por hierarquias sociais, naturalização da violência e manutenção de estruturas desiguais.

O autor Paulo Atto observa que a realidade contemporânea é marcada por "muitos Macbeths e Ricardos", com discursos distintos, mas práticas convergentes.

“Partimos desse ponto para revisitar Shakespeare”, afirma. Segundo o ator Saulus Castro, a obra busca discutir como ambos os personagens destroem tudo ao redor em nome de um ideal de poder, destacando que Shakespeare serve como ponto de partida para refletir sobre o presente.

A concepção cênica, assinada por Lucimaureen Agra em colaboração com o diretor, apresenta um ambiente labiríntico, branco e clínico, onde os personagens ficam expostos, sem abrigo, revelando seus métodos e ambições.

O uso do vermelho, em contraste com o branco predominante, simboliza o sangue derramado pela conquista do poder. Elementos como caveiras, corredores e projeções audiovisuais reforçam o clima simbólico do confronto.

A narrativa é intensificada por recursos audiovisuais da Oficina de Pixel, que interferem nas cenas como vestígios do passado e prenúncios do futuro, reforçando o conceito de repetição histórica.

A trilha sonora original, composta por Luciano Salvador Bahia, e a iluminação de Fred Alvim ampliam a atmosfera de tensão e clausura.

Anote

Datas: 29 de janeiro a 1º de fevereiro
Horário: 20h
Local: Teatro 2 de Julho (R. Pedro Gama, 413 E - Federação)
Entrada: R$ 60 e R$ 30