
Na quinta-feira (15 de janeiro), durante a tradicional Lavagem do Bonfim, os fiéis que percorrem o Caminho da Fé, entre as Obras de Irmã Dulce e a Igreja do Bonfim, em Salvador, encontrarão restauradas as obras que homenageiam Santa Dulce dos Pobres e o Senhor do Bonfim.
As estruturas artísticas que compõem o Caminho da Fé foram totalmente recuperadas após sofrerem sucessivos atos de vandalismo em 2023. Ao todo, a exposição é formada por 14 estações, com 28 obras fixadas em totens de madeira com chapas de aço inox. Criadas pelo artista Juarez Paraíso, as peças foram reinstaladas com parafusos ocultos e proteção de vidro, após 22 delas terem sido furtadas.
A nova produção foi viabilizada pela Fundação Gregório de Mattos (FGM), que também coordenou os trabalhos de reposição. Segundo a gerente de Patrimônio da FGM, Roberta Ventura, as obras possuem valor artístico, espiritual e cultural incomensurável por retratarem figuras centrais da devoção popular: Santa Dulce, símbolo da solidariedade, e o Senhor do Bonfim, expressão da fé e da tradição religiosa baiana.
Para Ventura, o Caminho da Fé representa mais que uma exposição: trata-se de um espaço de encontro entre arte, religiosidade e identidade cultural. Ela também destacou que o conjunto de obras de Juarez Paraíso está em processo de tombamento e já possui proteção legal provisória desde 2024. Ainda assim, os atos de vandalismo persistem, o que a gestora classificou como uma grave ameaça ao patrimônio.
O Código Penal Brasileiro prevê punições, como multa e detenção, para crimes de depredação de bens públicos ou tombados. O próprio Juarez Paraíso lamentou os danos causados às obras, classificando o vandalismo como um problema de segurança pública e de educação. Segundo o artista, a restauração só foi possível graças à atuação da FGM e ao compromisso coletivo com a preservação cultural e religiosa.
Desenvolvido durante a pandemia de Covid-19, o projeto Caminho da Fé reuniu, além de Juarez Paraíso, outros 14 artistas: Sônia Rangel, Márcia Magno, Edsoleda Santos, Paulo Rufino, Fernando Pinto, Jota Cunha, Washington Falcão, Leonel Mattos, Ray Vianna, Chico Mazzoni, Murilo, Bel Borba, Guache Marques e Juraci Dória. Márcia Magno e Washington Falcão também participaram diretamente da produção e restauração no ateliê do artista principal.
Inaugurado em 13 de agosto de 2020, o Caminho da Fé é um percurso religioso de 1,1 quilômetro entre o Santuário do Bonfim e o Santuário de Santa Dulce dos Pobres, na Península de Itapagipe. As obras estão instaladas em totens com duas faces: de um lado, são vistas por quem segue para a Igreja do Bonfim; do outro, por quem caminha em direção ao Hospital de Irmã Dulce.
O trajeto começa em frente ao Hospital Santo Antônio, nas imediações da Igreja de Irmã Dulce, e segue pela calçada até a Colina Sagrada, proporcionando aos devotos uma experiência de fé, arte e contemplação.
