Saúde

Osteoporose: identifique os sinais

Ginecologista diz que é preciso identificar precocemente a fragilidade óssea

Foto: Ilustração feita por IA
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Uma fratura causada por uma queda simples ou pequeno impacto pode ser o primeiro sinal de osteoporose, doença que enfraquece os ossos e pode evoluir sem sintomas durante anos.

Uma fratura provocada por uma queda simples ou por um impacto de pequena intensidade pode ser o primeiro sinal de osteoporose, doença que reduz a resistência dos ossos e aumenta o risco de fraturas.

Como a perda de massa óssea costuma ocorrer sem sintomas, o problema pode permanecer desconhecido durante anos e só ser identificado depois de uma lesão.

Estimativas apresentadas pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) indicam que uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens acima dos 50 anos sofrerão uma fratura por fragilidade ao longo da vida. O material também aponta que cerca de 80% das pessoas que apresentam fraturas osteoporóticas não são diagnosticadas nem tratadas adequadamente para a doença óssea associada.

Segundo a ginecologista Adriana Orcesi Pedro, vice-presidente da Comissão Nacional Especializada em Osteoporose da Febrasgo, uma fratura após um trauma leve deve motivar uma investigação mais ampla. O atendimento não pode se limitar à recuperação do osso lesionado, pois a primeira fratura pode indicar maior probabilidade de novos episódios, especialmente nos dois anos seguintes.

As fraturas vertebrais merecem atenção particular porque frequentemente passam despercebidas. De acordo com os dados apresentados pela entidade, cerca de 70% delas podem ocorrer sem manifestações clínicas evidentes.

Em outros casos, os sinais incluem dor nas costas, diminuição da estatura ou aumento da curvatura da coluna. Fraturas de quadril, punho e úmero também podem estar associadas à osteoporose.

A perda de mais de quatro centímetros de altura ao longo da vida é outro sinal que pode justificar investigação médica, pois pode estar relacionada a fraturas vertebrais não diagnosticadas.

Menopausa

A menopausa exige atenção à saúde óssea devido à redução dos níveis de estrogênio, hormônio importante para a manutenção da massa óssea. O risco merece avaliação especial entre mulheres que entram na menopausa antes dos 45 anos, apresentam insuficiência ovariana, passam por cirurgia para retirada dos ovários ou permanecem longos períodos sem menstruar.

Para Adriana, a transição menopausal representa uma oportunidade de identificar riscos e adotar medidas preventivas. Isso não significa, porém, que todas as mulheres precisem realizar densitometria óssea ao chegar à menopausa. A indicação do exame depende da avaliação clínica e dos fatores de risco individuais.

O histórico familiar também deve ser considerado. Ter pai ou mãe que sofreu fratura de quadril pode indicar maior risco de fragilidade óssea. Essa informação deve ser analisada juntamente com a idade, o peso, as condições clínicas, os medicamentos utilizados e a ocorrência de fraturas anteriores.

Determinadas doenças podem comprometer a resistência dos ossos, entre elas artrite reumatoide, doença celíaca, alterações da tireoide e da paratireoide, doença renal crônica e diabetes.

Medicamentos causam perda óssea

Alguns medicamentos também podem contribuir para a perda óssea, dependendo da dose, do tempo de utilização e das condições clínicas do paciente. Entre eles estão glicocorticoides, como a prednisona, além de determinados anticonvulsivantes, antidepressivos, imunossupressores, medicamentos para diabetes e inibidores da bomba de prótons.

A especialista chama atenção, ainda, para mulheres submetidas a tratamentos contra o câncer de mama que utilizam medicamentos capazes de reduzir a ação do estrogênio, como os inibidores da aromatase. Nesses casos, o acompanhamento deve considerar os possíveis efeitos do tratamento sobre os ossos.

A presença desses fatores não significa que os medicamentos devam ser suspensos. A decisão sobre prevenção, monitoramento ou eventuais mudanças no tratamento deve ser tomada pelo médico responsável.

O baixo peso, o emagrecimento acentuado, o sedentarismo, o tabagismo e o consumo excessivo de álcool também estão associados ao aumento do risco de osteoporose. A ingestão insuficiente de cálcio e proteínas e a deficiência de vitamina D são outras condições que merecem atenção.

Prevenção

A prevenção envolve alimentação adequada, atividade física regular e acompanhamento médico quando existem fatores de risco. A investigação pode incluir o histórico pessoal e familiar, as doenças associadas, os medicamentos utilizados e a avaliação do risco de quedas. Quando indicada, a densitometria óssea permite medir a densidade mineral dos ossos e contribuir para a avaliação da saúde óssea.

Segundo Adriana Orcesi Pedro, identificar precocemente a fragilidade óssea é importante não apenas para reduzir o risco de fraturas, mas também para preservar a mobilidade, a independência e a qualidade de vida, especialmente entre mulheres após a menopausa.

A médica reforça que uma fratura aparentemente acidental não deve ser ignorada, sobretudo depois dos 50 anos. Investigar suas causas pode permitir o diagnóstico da osteoporose e a adoção de medidas para reduzir a probabilidade de novas lesões.