Livros

Menina de 10 anos de idade lança livro que escreveu e ilustrou

Marina Azeredo criou a história de A Princesa da Fazenda em apenas uma semana

Foto: Jefferson Peixoto | Secom PMS
Marina Azeredo estuda na Escola Municipal Adilson de Souza Gallo, próxima ao CMEI Pirajá
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Aos 10 anos, Marina Azeredo, estudante da rede municipal de Salvador, lançou A Princesa da Fazenda, livro que escreveu e ilustrou em uma semana. Apresentada no CMEI Pirajá, onde iniciou sua trajetória escolar, a obra conta a história de uma menina que recebe um mapa para encontrar uma fazenda mágica.

Aos 10 anos, Marina Azeredo já tem seu primeiro livro lançado. Estudante da rede municipal de ensino de Salvador, ela escreveu e ilustrou A Princesa da Fazenda, uma aventura sobre uma menina que recebe um mapa para encontrar uma fazenda mágica.

A obra foi apresentada na sexta-feira (16 de outubro), no Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Pirajá, onde a jovem autora começou a estudar quando tinha apenas 1 ano de idade.

Atualmente matriculada na Escola Municipal Adilson de Souza Gallo, Marina escolheu retornar à antiga unidade de ensino para compartilhar sua conquista com professores e integrantes da comunidade escolar. O lançamento reuniu familiares e educadores que acompanharam seu interesse pela leitura, pela escrita e pelo desenho desde os primeiros anos da infância.

A história foi escrita em apenas uma semana. No enredo, uma menina fazendeira recebe a visita de um mensageiro que lhe entrega um mapa com o caminho para uma fazenda mágica. Além de criar a narrativa, Marina desenhou os personagens e os cenários que ilustram todas as páginas.

A inspiração veio da animação Barbie e o Castelo de Diamante, mas a autora decidiu imprimir características próprias à protagonista. Em vez do vestido rosa tradicionalmente associado à boneca, a princesa criada por Marina aparece vestida de azul, sua cor favorita. Entre todas as ilustrações, a menina destaca a do castelo como a mais desafiadora.

“Eu gosto muito de ler e escrever quando estou em casa. Já escrevi outros livros, mas esse foi o primeiro a ser lançado”, contou.

O interesse pela criação de histórias não é recente. Segundo a mãe, Cinthia Azeredo, de 28 anos, escrever e desenhar estão entre os passatempos preferidos da filha. Marina já havia produzido outros textos, mas A Princesa da Fazenda foi o primeiro a ganhar uma versão impressa para apresentação ao público.

Cinthia explica que recebeu o material praticamente pronto, escrito em folhas de rascunho. Sua participação consistiu em digitalizar as imagens, fazer pequenos ajustes nos desenhos, reorganizar algumas frases e preparar a impressão.

“Eu fiz o papel editorial, que foi desafiador, mas muito gratificante”, afirmou a mãe, ressaltando que a criação da história e os detalhes da narrativa partiram da própria Marina.

Para o pai, Maurício Esteves, de 33 anos, o lançamento representa não apenas uma conquista familiar, mas também um exemplo que pode incentivar outras crianças a desenvolver o interesse pela leitura.

“Nós, que somos da periferia, ficamos muito felizes em ver que os nossos filhos gostam de estudar, gostam de leitura e podem servir de incentivo para as outras crianças. Que esse seja o primeiro de muitos livros”, declarou.

O envolvimento de Marina com as histórias também marcou sua passagem pelo CMEI Pirajá. A ex-professora Silvana Santos lembra que a menina demonstrava interesse por atividades de leitura, desenho e expressão oral desde pequena.

Segundo a educadora, aos 3 anos Marina já reconhecia o próprio nome, contava de 1 a 30 e gostava de compartilhar acontecimentos de sua vida com os colegas. “Ela adorava ouvir histórias, adorava desenhar, sempre foi uma criança muito desenvolvida”, recordou.

Na escola onde Marina iniciou sua formação, o estímulo à criatividade faz parte das atividades pedagógicas. A unidade promove apresentações teatrais, atividades musicais, contação de histórias com fantoches de dedo e rodas de conversa nas quais as crianças são incentivadas a compartilhar experiências.

A diretora do CMEI Pirajá, Patrícia Albuquerque, explica que a instituição procura desenvolver práticas que valorizem a participação dos alunos e o contato com diferentes manifestações culturais, incluindo atividades voltadas à diversidade e à educação antirracista.

Uma dessas práticas é a chamada “rodinha”, momento diário em que as crianças se sentam em círculo para conversar sobre acontecimentos do cotidiano, contar histórias e participar das atividades coletivas.

Para Patrícia, o retorno de Marina à escola para apresentar seu primeiro livro reforça os vínculos entre a instituição e as famílias da comunidade. A irmã da jovem escritora também estuda na unidade.

“Nós vamos criando esses laços com a comunidade. As crianças saem daqui e depois dão um retorno. Ficamos muito orgulhosos do trabalho que fazemos”, afirmou a diretora.

Embora A Princesa da Fazenda seja seu primeiro livro lançado, Marina já escreveu outras histórias. A experiência de transformar uma delas em uma obra ilustrada marca uma nova etapa de uma atividade que, até então, fazia parte de seus momentos de lazer em casa.